Merz sob pressão: o maior ataque ucraniano a Moscou e o tremor nas eleições regionais alemãs
Análise: maior ataque ucraniano a Moscou e a pressão sobre Merz após perdas da CDU nas eleições regionais alemãs.
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Merz sob pressão: o maior ataque ucraniano a Moscou e o tremor nas eleições regionais alemãs
Por Marco Severini — A semana política europeia abre-se como um tabuleiro onde movimentos calculados redesenham linhas de influência. No epicentro das manchetes, dois eventos exigem leitura estratégica: o maior ataque ucraniano a Moscou — coordenado com as eleições parlamentares russas — e a guinada política na Alemanha que aprofunda a crise de liderança do chanceler Friedrich Merz.
O pesquisador Federico Borsari, do Transatlantic Defense and Security Program do Center for European Policy Analysis, qualificou o ataque por drones como um ato sem precedentes em escala e sincronização. Na ótica de Borsari, trata‑se de um movimento deliberado no tabuleiro, com efeito simbólico e operacional: visou não apenas alvos físicos, mas também a narrativa eleitoral interna russa, testando os limites da defesa aérea e as resiliências políticas de Moscou.
Na Alemanha, o cenário é de erosão para a União Democrata-Cristã (CDU). Relatos ao vivo de Laura Fleischmann, a partir de Berlim, destacam os avanços da AfD nas eleições regionais em Mecklemburgo‑Pomerânia Anterior e nos distritos berlineses, e a reação em cadeia: cresceu a pressão sobre Merz após a derrota acentuada do seu partido. As perdas significativas não são apenas números; são fissuras nos alicerces da disciplina partidária e da confiança do eleitorado, que agora exigem respostas de estratégia e posicionamento.
Sabrina Repp, eurodeputada dos Social‑Democratas pelo Mecklemburgo‑Pomerânia Anterior, reagiu aos resultados com ênfase na urgência de recompor pontes sociais e políticas. Repp vê as urnas como um espelho da insatisfação local, sobretudo em regiões afetadas por mudanças econômicas e crises sociais — fatores que a AfD explorou com narrativa de segurança e identidade.
No plano transatlântico, o braço de ferro entre Washington e Teerã ganha novos contornos. Aadel Haleem, em Doha, descreve uma escalada tensa enquanto o ex‑presidente Trump se prepara para discursar na Assembleia Geral das Nações Unidas. Essa tensão externa toca a diplomacia europeia e recalibra alianças; é, em termos geopolíticos, uma movimentação que altera a tectônica de poder do Oriente Médio e desafia a coesão ocidental.
Finalmente, um aspecto menos visível, mas de impacto direto na confiança pública: Bill White, embaixador dos Estados Unidos na Bélgica, analisa o aumento da violência associada às drogas em Bruxelas e a crescente desconfiança dos belgas em relação aos EUA. Esse fenômeno evidencia como questões de segurança interna influenciam percepções externas e reputações diplomáticas — outro tabuleiro onde as peças migratórias e criminais reconfiguram fronteiras de influência.
Podem acompanhar a cobertura ao vivo com os apresentadores da Euronews, Méabh Mc Mahone e Stefan Grobein, de segunda a sexta, às 8:00 (hora de Bruxelas). Em 20 minutos, o programa sintetiza os eventos-chave do dia com análise aprofundada das histórias que moldam a União Europeia e o mundo; também disponível como newsletter e podcast.
Em suma, assistimos a um redesenho de fronteiras invisíveis: um ataque ucraniano que testa Moscou, uma AfD que capitaliza descontentamento regional, e um chanceler Merz que enfrenta uma maré de pressão interna. A arquitetura das decisões políticas exige agora respostas de estado — pragmáticas, medidas e orientadas por uma visão de longo prazo, como quem joga uma partida de xadrez em que cada peça tem implicações estratégicas além do movimento imediato.

