Polônia reporta avanços no sistema de depósito e mira 77% de recuperação, diz ministra Hennig-Kloska
Após nove meses, o sistema de depósito na Polônia reduz lixo e mira 77% de recuperação; debate inclui 'małpki' e exceção para garrafas de vidro.
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Polônia reporta avanços no sistema de depósito e mira 77% de recuperação, diz ministra Hennig-Kloska
Passados nove meses desde a entrada em vigor, em janeiro de 2026, o sistema de depósito cauzionale na Polônia apresenta resultados iniciais que o governo considera promissores, mas ainda sujeitos a aperfeiçoamentos. Em entrevista concedida durante o 35.º Fórum Econômico de Karpacz, a ministra do Clima e do Ambiente, Paulina Hennig-Kloska, traçou um balanço cauteloso e estratégico do primeiro ciclo operacional do mecanismo.
Segundo a ministra, o período de maior stress para o sistema foi o verão, quando o consumo de bebidas embaladas aumenta sensivelmente e testa a capacidade logística dos pontos de retorno. "Esses últimos meses foram a maior prova — o verão acentua o consumo de embalagens sujeitas ao depósito", declarou Hennig-Kloska. Ainda assim, a avaliação oficial é de que a Polônia atravessou essa fase de pico de maneira relativamente suave, sem os colapsos verificados em outros países no primeiro ano de implantação.
Do ponto de vista ambiental, os efeitos já são palpáveis. Há uma redução visível de embalagens descartadas em florestas, parques, prados e bairros residenciais. "Praticamente essas garrafas sujeitas ao sistema cauzionale não existem mais nas paisagens onde antes enchiam nossos resíduos", observou a ministra, sublinhando a diminuição do abandono de embalagens como um indicador imediato de eficácia.
No entanto, Hennig-Kloska realçou que o desafio agora é elevar o índice de recuperação de plástico. A meta anunciada para o ano é de 77%, um progresso ambicioso frente ao patamar pré-reforma, que situava a Polônia em torno de 40% de recolha desse tipo de embalagem. A ministra advertiu que, se o país não atingir as metas estipuladas, municípios e fabricantes de bebidas estarão sujeitos a sanções econômicas consideráveis.
Em termos de benchmarking, a Polônia pretende alinhar-se gradualmente aos sistemas europeus de maior desempenho. Hennig-Kloska citou a Alemanha, onde as taxas de devolução superam os 97%, e mencionou que os melhores modelos europeus oscilam entre 93% e 97% de retorno. Essa comparação situa a meta polaca num horizonte realista, mas exigente, de aperfeiçoamento operacional e de mobilização cívica.
Entre as propostas em debate está a inclusão das chamadas "małpki" — pequenas garrafas de bebidas alcoólicas — no esquema de depósito. A ministra afirmou que mais de 60% dos cidadãos apoiam a inclusão desses recipientes, que são atualmente um dos elementos mais visíveis da poluição em espaços públicos. As decisões finais dependerão das normas em elaboração e das consultas públicas em curso.
Por ora, permanece a exceção para as garrafas de vidro reutilizáveis, muitas das quais são administradas por sistemas próprios dos produtores. O ministério optou, no momento, por permitir que esses mecanismos produtivos continuem a operar fora do sistema geral de depósito, preservando um período de transição que respeite cadeias existentes.
Em termos estratégicos, este é um movimento que combina pragmatismo regulatório com um redesenho progressivo da arquitetura da gestão de resíduos: um movimento decisivo no tabuleiro da política ambiental que exige coordenação entre autoridades, municípios e setor privado. Resta saber se a tectônica de poder entre atores locais e produtores permitirá acelerar a taxa de devolução até os parâmetros almejados.
Por Marco Severini, Espresso Italia — análise de geopolítica ambiental e estratégia de políticas públicas.

