Veto de França e Eslováquia trava renovação das sanções europeias contra a Rússia
França e Eslováquia vetam renovação das sanções da UE contra a Rússia; prorrogação até 22/09 para buscar solução sobre Usmanov.
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Veto de França e Eslováquia trava renovação das sanções europeias contra a Rússia
Por Marco Severini — Em mais um lance notável no tabuleiro diplomático europeu, o processo de renovação das sanções da União Europeia contra a Rússia entrou em impasse na segunda-feira, quando França e Eslováquia, em uma ação conjunta pouco habitual, exigiram a exclusão do empresário russo-uzbeque Alisher Usmanov da lista negra.
Com o prazo de validade das medidas a aproximar-se, os embaixadores optaram por uma prorrogação-tampão de uma semana, até 22 de setembro de 2026, para ganhar tempo e procurar uma solução que, até agora, se revelou intrincada. Um porta-voz da presidência irlandesa do Conselho da UE comentou que “as consultas continuarão e estão previstos novos contactos a seu tempo”.
No vocabulário das capitais, a renovação das inscrições nas listas é considerada essencial para “continuar a enfraquecer a máquina de guerra da Rússia e manter pressão sobre indivíduos e entidades que a sustentam”, sublinhou a mesma fonte. Trata-se de manter os alicerces da diplomacia intactos para que a coesão das medidas não se fragilize.
Diplomatas tentam ainda compreender por que França se alinhou agora à campanha que a Eslováquia defende há anos: a remoção de Usmanov da lista que reúne quase três mil pessoas e entidades acusadas de apoiar a ofensiva russa contra a Ucrânia. Paris invocou motivos de “segurança nacional”, sem apresentar pormenores; segundo um diplomata europeu, a delegação francesa não trouxe novos elementos durante as discussões de segunda-feira.
Usmanov foi incluído na lista nos primeiros dias da invasão, por causa de seus “laços estreitos” com Vladimir Putin e participações em sectores considerados estratégicos para a economia russa, conforme o Conselho da UE. O empresário, no entanto, sempre negou tais acusações.
A Eslováquia insiste há tempo que tanto Usmanov quanto o oligarca Mikhail Fridman sejam retirados das sanções, pedido que até o momento não encontrou acolhida entre os demais Estados-membros, que o veem como motivado por razões políticas. No início do ano, uma investigação jornalística tornou pública uma carta que o presidente turco Recep Tayyip Erdoğan teria enviado ao primeiro-ministro eslovaco Robert Fico, pedindo auxílio para pôr fim ao que chamou de “prática injusta” contra Usmanov. Datada de 2 de março de 2026, a missiva cita também Azerbaijão, Cazaquistão, Quirguistão e Uzbequistão como apoiantes da sua remoção.
Não está claro se a posição de Paris se relaciona a interesses económicos, considerações de segurança sensíveis ou a dinâmicas de informação e inteligência. O momento, porém, revela um redesenho de fronteiras invisíveis na tectônica de poder europeia: quando um parceiro tradicional muda de posição, o efeito é comparável a um movimento decisivo no tabuleiro que exige nova leitura estratégica por parte de todos.
Enquanto as consultas prosseguem, a prorrogação de sete dias deixa o espaço para negociações que, na lógica da Realpolitik, poderão sacramentar concessões, trocas e compromissos. A estabilidade das sanções depende hoje menos de declarações retóricas e mais de acordos técnicos e de segurança que preservem a coerência do bloco face a desafios geopolíticos persistentes.

