Câncer de bexiga: sangue na urina é sinal que não pode ser subestimado, alerta Aiom no ESMO 2026
ESMO 2026: Aiom alerta que sangue na urina é sinal-chave do câncer de bexiga; Volga mostra redução significativa de recidiva e mortalidade.
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Câncer de bexiga: sangue na urina é sinal que não pode ser subestimado, alerta Aiom no ESMO 2026
Por Giulliano Martini — Em apresentação no congresso ESMO 2026, em Madrid, a oncologista Rossana Berardi, presidente eleita da Aiom (Associazione italiana di oncologia medica), fez um alerta técnico e objetivo sobre o câncer de bexiga e a importância do reconhecimento precoce dos sinais clínicos. Com base em dados Aiom-Airtum 2025, Berardi destacou que a Itália registra cerca de 29 mil novas diagnósticos por ano, dos quais aproximadamente 23 mil ocorrem em homens, padrão que evidencia maior incidência no sexo masculino, sem excluir o risco para mulheres.
O sintoma de maior frequência, explicou a especialista, é a presença de sangue na urina — a hematúria — e trata-se de um dado clínico que não deve ser desprezado. "A hematúria pode ser atribuída a outras causas, mas o risco é chegar ao diagnóstico tardiamente, quando a doença já se encontra em fase localmente avançada ou avançada", disse Berardi. A recomendação é que qualquer episódio de sangue nas urinas seja investigado com rigor, por meio de avaliação urológica e exames complementares apropriados.
Berardi sublinhou que, atualmente, "não existe um rastreamento direcionado para a população geral", o que eleva a responsabilidade da prevenção e da diagnóstico precoce. Entre os fatores de risco destacados está o fumo, apontado como um dos principais determinantes, além de exposições ocupacionais e ambientais específicas. O recado dirigido à população e à rede primária de saúde é claro: maior vigilância clínica e maior consciência dos sinais.
No mesmo evento foram apresentados os resultados do estudo de fase 3 Volga, que avaliou o papel do durvalumab perioperatório combinado com enfortumab vedotin em esquema neoadjuvante. Segundo os dados divulgados, a dupla terapêutica reduziu em 49% o risco de recidiva e em 42% o risco de morte para pacientes com tumor de bexiga músculo-invasivo. Esses números reforçam a potencialidade de intervenções oncológicas mais precoces no percurso terapêutico.
Por fim, a presidente eleita da Aiom enfatizou a necessidade de um modelo multidisciplinar no tratamento do câncer de bexiga. "Trata-se de uma neoplasia que exige colaboração entre urologia, oncologia clínica e radioterapia", afirmou. A integração de especialistas, segundo Berardi, permite avaliar o paciente desde a primeira suspeita e definir, caso a caso, a estratégia terapêutica mais adequada — um vetor decisivo para melhores desfechos clínicos.
Apuração e cruzamento de fontes: declaração de Rossana Berardi no ESMO 2026; dados Aiom-Airtum 2025; resultados do estudo de fase 3 Volga.

