Aigrim: restauração em cadeia vale 9 bilhões e 40% dos ocupados têm menos de 30 anos
Aigrim Day 2026: restauração em cadeia vale 9 bilhões, emprega 30 mil e enfrenta escassez de pessoal. 40% dos ocupados têm menos de 30 anos.
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Aigrim: restauração em cadeia vale 9 bilhões e 40% dos ocupados têm menos de 30 anos
Apresentados no Aigrim Day 2026, em Milão, os números traçam um panorama claro: a restauração em cadeia italiana está em expansão, com impacto econômico relevante e desafios estruturais persistentes. Segundo dados divulgados no fórum promovido por Aigrim-Fipe, o setor das redes de restauração movimenta cerca de 9 bilhões de euros e emprega mais de 30 mil trabalhadores, dos quais aproximadamente 40% têm menos de 30 anos.
O encontro reuniu autoridades, empresas e especialistas para discutir as perspectivas do segmento e, sobretudo, a dificuldade crescente em recrutar profissionais qualificados. Em discurso direto, Riccardo Orlandi, presidente da Aigrim-Fipe, qualificou a falta de mão de obra não como um episódio temporário, mas como uma questão estrutural que ameaça limitar a capacidade de expansão de um setor que continua a investir e a contratar.
Orlandi destacou a necessidade de medidas concretas: além de tornar o setor mais atraente para as novas gerações e de avanços no próximo acordo coletivo nacional (CCNL), são essenciais políticas que reduzam o custo do trabalho. Também elencou as medidas de detaxação recentemente introduzidas como passos úteis, mas insuficientes, e pediu um diálogo estreito com forças políticas e instituições sobre incentivos fiscais e redução de encargos.
O Aigrim Day foi aberto pelo Ministro da Agricultura, Soberania Alimentar e Florestas, Francesco Lollobrigida, e contou com intervenções de Lino Enrico Stoppani (presidente da Fipe-Confcommercio), Mauro Lusetti (vice-presidente da Confcommercio), Gabriele Fava (presidente do INPS) e Lorenzo Malagola (secretário da Comissão de Trabalho da Câmara dos Deputados).
A primeira mesa redonda, «As Recursos Humanos na restauração: presente e futuro», reuniu executivos do setor — Corrado Cagnola (CEO da KFC Itália e Grupo Spoon e vice-presidente da Aigrim-Fipe), Giorgia Favaro (CEO da McDonald's Itália) e Stefania Criveller (general manager da Cigierre) — para debater as transformações do mercado de trabalho e as estratégias empresariais para atração, formação e retenção de talentos.
Complementando o diagnóstico, Tommaso Nastasi, Head of Value Creation Service da Deloitte, apresentou um quadro do mercado italiano de foodservice avaliado em aproximadamente 84 bilhões de euros, em fase de estabilização com um crescimento estimado em +1% para 2025. A análise de Luciano Sbraga, diretor do Ufficio Studi Fipe-Confcommercio, reforçou o papel decisivo das cadeias: ainda que representem apenas 3-4% dos 260 mil pontos de venda ativos, as redes organizadas respondem por cerca de 11% do valor total do mercado, atuando como motor do crescimento.
Entre as preocupações mais recorrentes está o desajuste entre a oferta e demanda de trabalho — um problema que combina fatores demográficos, falta de formação específica e percepção do setor entre os jovens. As empresas participantes apresentaram iniciativas de formação interna, contratação programada e políticas de employer branding, mas reconheceram que respostas institucionais e fiscais são fundamentais para garantir sustentabilidade e expansão.
O Aigrim Day 2026 consolidou-se, assim, como um momento de apuração e cruzamento de fontes: fatos brutos sobre mercado e emprego, somados a propostas concretas de empresas e pedido de intervenção política. Em síntese, a realidade traduzida no evento aponta para um setor que cresce em números — 9 bilhões e milhares de empregos — mas que só continuará a expandir se for resolvido o entrave mais agudo: a escassez de pessoal e o custo do trabalho.

