Mensagens de 2010 indicam obsessão de Andrea Sempio; novas diligências no caso Garlasco

Mensagens de 2010 atribuídas a Andrea Sempio reaparecem; procuradoria de Pavia investiga ligação com o homicídio de Chiara Poggi.

Mensagens de 2010 indicam obsessão de Andrea Sempio; novas diligências no caso Garlasco

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Mensagens de 2010 indicam obsessão de Andrea Sempio; novas diligências no caso Garlasco

Por Giulliano Martini — Apuração in loco e cruzamento de fontes mostram que uma série de mensagens digitais atribuídas a Andrea Sempio revela uma clara obsessão sentimental por uma jovem. As mensagens, datadas do final de 2010, foram reapresentadas à procura di Pavia e, segundo os investigadores, podem referir-se a Chiara Poggi, o que, se confirmado, sustenta a hipótese de um motivo sexual na investigação pelo homicídio.

A movimentação processual reacendeu o caso Garlasco. A procura de Pavia notificou Andrea Sempio com um convite para interrogatório marcado para 6 de maio de 2026, no âmbito da nova linha investigativa que o coloca como investigado pelo crime. É a segunda convocação feita pela equipe do Ministério Público chefiada por Fabio Napoleone. Na primeira, em 20 de maio de 2025, o investigado, orientado por seus advogados, optou por não comparecer.

Os defensores de Sempio afirmam que as mensagens não se referiam a Chiara Poggi, mas a outra jovem, potencialmente passível de ser convocada para depor em eventual processo. A defesa — representada pelas advogadas Angela Taccia e pelo advogado Liborio Cataliotti — sustenta que os extratos digitais não comprovam um motivo sexual: “Ele não se reconhece nesse motivo sexual. Não mantinha relações íntimas com essa jovem, não a frequentava, e quando ia à residência ela ia trabalhar”, afirmou a defesa.

A alteração no capo di imputazione que agora aponta Sempio como possível autor isolado do homicídio, em vez de indiciá-lo em concurso com terceiros ou com Alberto Stasi, coincide com o envio à procura geral de Milão de um relatório que pode ser utilizado para requerer a revisão do julgamento do então namorado de Chiara Poggi, condenado em definitivo a 16 anos de reclusão.

Os advogados destacaram que, até que tenham acesso integral aos autos, não é possível avaliar a extensão das novas imputações: “Devemos aguardar. Enquanto não tivermos os atos, não conseguimos entender os contornos dessa nova acusação, que até agora é elástica e provisória”, disse a defesa. Ainda segundo a equipe, uma das poucas certezas que emerge da reconstrução recente é a indicação de que o agressor seria uma única pessoa — posição que, afirmam, a defesa vem sustentando ao longo dos anos.

O caso, que remonta ao assassinato de Chiara Poggi em 13 de agosto de 2007, permanece sob forte escrutínio público e jurídico. A nova etapa processual, com a eventual oitiva agendada para 6 de maio, pode abrir caminhos probatórios relevantes — ou, alternativamente, fornecer elementos para que a defesa reaja nos autos. A reportagem seguirá acompanhando as diligências dos Ministérios Públicos em Pavia e os possíveis convites a testemunhas que possam esclarecer a referência das mensagens de 2010.

Apuração rigorosa e cruzamento de fontes permanecem ativos neste acompanhamento. Atualizações serão publicadas à medida que novos documentos e depoimentos forem juntados aos autos.