Novidades em livrarias: Robert Harris retorna com o épico 'Agrippa' e outras apostas editoriais
Robert Harris lança 'Agrippa': um romance sobre amizade, poder e a formação do primeiro imperador romano. Descubra as novidades em livrarias.
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Novidades em livrarias: Robert Harris retorna com o épico 'Agrippa' e outras apostas editoriais
Uma seleção das principais novidades em livrarias desta semana, entre romances históricos, ensaios e reportagens, traz ao centro um nome que volta a dialogar com os grandes cenários do poder: Robert Harris com seu novo romance histórico Agrippa, publicado pela Mondadori. Aqui, a literatura funciona como um espelho do nosso tempo: o passado imperial revela o roteiro oculto das ambições humanas e o custo íntimo do poder.
No romance, a narrativa começa poucos dias após o assassinato de Júlio César, nas Idos de Março. Longe de Roma, dois jovens recebem a notícia que mudará suas vidas. Um deles é o herdeiro inesperado do ditador — Ottavio, com apenas dezoito anos, nomeado sucessor — e o outro é seu inseparável amigo: Agrippa. Formados juntos, ambos passam meses em Apollonia, na província da Ilíria, para concluir a formação, antes de retornar à capital e reivindicar o lugar que o destino lhes impôs.
Harris constrói um par complementar: Agrippa, forte e belicoso; Ottavio, frágil e doente — como um urso e uma raposa que se equilibram mutuamente. Contra todas as expectativas, eles superam rivais e intrigas: Ottavio evolui até se tornar Otaviano Augusto, o primeiro imperador. Ao longo de vinte anos, ambos governam grande parte do mundo conhecido. Já na meia-idade, Agrippa busca refúgio em sua villa à beira do golfo de Nápoles. Enfraquecido pela doença e pela traição conjugal, ele revisita memórias e decide escrever suas memórias. Do encontro com César ao confronto com Marco Antônio e Cleópatra, da grandiosa Batalha de Ácio às campanhas de expansão, Agrippa narra como um único homem — seu antigo amigo Ottavio — dominou o eixo de sua vida. E, ao fazê-lo, pergunta-nos o que acontece com a alma quando o poder absoluto entra em cena.
A carreira de Robert Harris (nascido em 1957, formado em Cambridge) transita entre jornalismo e ficção. Ex-repórter da BBC e comentarista em veículos como o Observer e o Sunday Times, Harris tornou-se amplamente conhecido com Fatherland (1992). Sua obra inclui títulos como Enigma (1996), Archangel (1998), Pompei (2003) e a trilogia sobre Roma antiga — Imperium (2006), Conspirata (2010) e Dictator (2015). Vários de seus livros ganharam adaptações cinematográficas: The Ghostwriter (2007) e L'ufficiale e la spia (2014) nas mãos de Roman Polanski; e Conclave (2016), recentemente adaptado em filme por Edward Berger (2024), com Ralph Fiennes, Stanley Tucci, Sergio Castellitto e Isabella Rossellini. Entre outros trabalhos, destacam-se Monaco (2018), Il sonno del mattino (2019), V2 (2020) e Oblio e perdono (2022).
Em Agrippa, Harris não apenas reconstrói batalhas e cenários, mas também escava a intimidade dos personagens, oferecendo um reframe da história que nos força a questionar: até que ponto um vínculo pessoal sobrevive quando o palco exige crueldade? Como todo grande romance histórico, o livro funciona como uma semiótica do tempo presente — um convite a ler o passado para entender os nós do contemporâneo.
Fique atento: esta semana as livrarias recebem títulos que prometem conversar com o público não só pela trama, mas pelo pano de fundo cultural que projetam — e Harris continua sendo um nome que, como uma lente, amplia questões sobre memória, poder e identidade.

