Ataques com drones atingem refinaria em Ufa; Lavrov relata diálogo tenso com EUA no G20
Ataque por drones atinge refinaria em Ufa; Rússia diz ter abatido 433 drones. Lavrov relata diálogo breve com EUA no G20 sobre cooperação e riscos de confronto.
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Ataques com drones atingem refinaria em Ufa; Lavrov relata diálogo tenso com EUA no G20
Por Marco Severini — Em um novo capítulo da tensão transfronteiriça, a Ucrânia realizou, na madrugada, um ataque por drones contra a refinaria Bashneft-Novoil em Ufa, no sudoeste da Rússia, segundo informou o canal Telegram independente Astra. O complexo, um dos principais do distrito norte da cidade, entrou em chamas após o impacto dos dispositivos.
O polo de Bashneft-Novoil é responsável pela produção de gasolina em conformidade com o padrão Euro-6, além de diesel, combustível para aviação e lubrificantes. A instalação já havia sido atingida em 21 de setembro; segundo o relato, os ataques contra refinarias russas haviam sido suspensos por quase um mês devido, alegadamente, a pressões exercidas por Donald Trump.
Em boletim divulgado pela manhã, o Ministério da Defesa russo afirmou que as defesas aéreas abateram, ao todo, 433 drones ucranianos de longo alcance em 19 regiões. Na região de Bryansk, um ataque com um drone kamikaze em Klimovo teria provocado duas mortes entre civis — um homem e uma mulher — e deixado outros cinco feridos. O governador da região de Rostov relatou que, durante a noite, sistemas antiaéreos teriam repelido um ataque com mais de 90 drones contra a cidade de Kamensk-Shakhtinsky e em outros quatro distritos.
No cenário diplomático, o ministro das Relações Exteriores russo, Sergej Lavrov, manteve uma conversa breve com o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, à margem da reunião de ministros do G20 em Atlanta. Lavrov qualificou o contato como "bom", mas curto, justificando que Rubio, enquanto anfitrião, estava comprometido por múltiplas funções que limitaram o tempo disponível para encontros fora da agenda do fórum.
Segundo Lavrov, o diálogo abordou tanto aspectos das relações bilaterais quanto a cooperação em instâncias multilaterais, incluindo as Nações Unidas, o G20 e a cúpula da APEC em Shenzhen. O chefe da diplomacia russa sublinhou que Washington segue, "nas regras clássicas da diplomacia", um comportamento de gestão de interesses mesmo quando as posições nacionais divergem. Citando um encontro anterior em Riad, em fevereiro de 2025, Lavrov reiterou que os interesses da Rússia e dos EUA não coincidem na maioria dos temas, mas argumentou que, quando convergirem, seria sensato traduzi-los em projetos concretos; e quando divergirem, prudência é necessária para evitar que a diferença se converta em confronto aberto.
Esta sequência de ataques e o diálogo restrito entre Moscou e Washington desenham um tabuleiro onde cada movimento militar e diplomático reconfigura a tectônica de poder regional. A ofensiva sobre infraestruturas energéticas e a resposta antiaérea em larga escala mostram tanto a intensidade do confronto quanto os riscos de escalada inadvertida. Nas tessituras da diplomacia, a breve conversa no G20 revela, por sua vez, que as rotas de negociação permanecem abertas, embora sob alicerces frágeis — como uma arquitetura clássica que resiste, por ora, ao desgaste das pressões estratégicas.
Enquanto isso, permanece a incerteza sobre a continuidade dos episódios com drones e as repercussões humanitárias nas regiões de fronteira. A vigilância internacional e a gestão prudente das divergências serão determinantes para que o desenrolar desses eventos não redesenhe fronteiras invisíveis no mapa da estabilidade euro-asiática.

