Zelensky confirma encontro trilateral em novembro entre Ucrânia, EUA e Rússia
Zelensky confirma encontro trilateral em novembro entre Ucrânia, EUA e Rússia e detalha cessar‑fogo humanitário em Oleshky a partir de 27/10.
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Zelensky confirma encontro trilateral em novembro entre Ucrânia, EUA e Rússia
Por Marco Severini — Em movimento que altera o tabuleiro diplomático, o presidente Zelensky confirmou que, em novembro, ocorrerá um encontro trilateral entre Ucrânia, EUA e Rússia, mediado pelos norte-americanos, com o objetivo de relançar negociações de paz travadas desde o início do ano. A convocação representa um passo estratégico importante na tentativa de redesenhar fronteiras invisíveis da crise e criar corredores humanitários sob supervisão internacional.
Segundo o próprio mandatário ucraniano, a parte americana propôs um regime de cessar-fogo na área de Oleshky a partir de 27 de outubro, previsto para durar vários dias, com a finalidade de permitir o acesso de missões humanitárias. "As missões humanitárias devem chegar lá", disse Zelensky, observando que as operações envolverão os americanos, os ucranianos e os russos. A Rússia teria a missão de limpar as estradas de minas; a parte ucraniana, por sua vez, acompanhará e coordenará os passos técnicos e logísticos.
O presidente advertiu, com franqueza diplomática: a Rússia "fará de tudo para limpar as estradas de modo que essas pessoas sigam para a Rússia", enquanto uma parte dos civis será evacuada para a Ucrânia, na zona por ela controlada. "O essencial é libertar essas pessoas do cerco para que possam viver", enfatizou. Essa descrição revela os alicerces frágeis da diplomacia humanitária quando confrontados com a lógica de poder e deslocamentos forçados.
No plano interno e europeu, a guerra continua a provocar fricções políticas. O vice‑primeiro‑ministro italiano Matteo Salvini, reeleito líder da Lega, voltou a questionar a linha do governo italiano de apoio irrestrito a Kiev, lembrando que, após mais de quatro anos de conflito e um elevado pacote de ajuda — cerca de 90 bilhões de euros em vários formatos —, é legítimo perguntar se enviar mais armas e sancionar ainda mais será o caminho mais eficaz para alcançar a paz.
Em entrevista à Tsn‑Tyzhden, Zelensky reafirmou posições firmes da Ucrânia na ausência de concessões fundamentais: o país não aceitará limitações ao tamanho do seu exército nem um status de neutralidade imposto por terceiros. "Não podemos falar de neutralidade do nosso Estado. Nossa visão coincide, em princípio, com a americana; não podemos falar de limitar o exército ucraniano", declarou, acrescentando que garantias de segurança não podem ser ditadas pela Rússia. Os assuntos territoriais, ressaltou, são "linha vermelha" a ser tratada apenas ao nível dos líderes.
Por fim, Zelensky mencionou dificuldades técnicas levantadas nos diálogos com os EUA em Oslo: escassez de sistemas de defesa aérea, restrições relativas a Starlink/Starshield e limitações no intercâmbio de informações por parte dos Estados Unidos. Esses entraves técnicos ilustram como a tectônica de poder militar e tecnológica define hoje as condições de qualquer negociação.
O encontro marcado para novembro tem, portanto, perfil híbrido: combina urgência humanitária, demandas técnicas e decisões estratégicas de alto nível. Em termos de diplomacia de Estado, trata‑se de um movimento decisivo no tabuleiro, cuja eficácia dependerá da vontade real de cumprir acordos e da capacidade de criar mecanismos independentes de verificação sobre o terreno.

