Aride, das plantações de coco ao santuário de um milhão de aves nas Seychelles
Aride: como uma ilha das Seychelles deixou plantações de coco para se tornar santuário de cerca de 1 milhão de aves marinhas.
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Aride, das plantações de coco ao santuário de um milhão de aves nas Seychelles
Por Aurora Bellini — Há ilhas que guardam cicatrizes do passado e, ao mesmo tempo, revelam futuros possíveis. Aride, uma pequena joia das Seychelles a cerca de dez quilômetros de Praslin, é um desses lugares: do uso intensivo como plantação de coco e exploração de recursos a um refúgio vibrante para a vida selvagem, capaz hoje de receber cerca de um milhão de aves marinhas a cada temporada de reprodução.
Durante grande parte do século XX, Aride foi transformada para atender a atividades humanas imediatas. As plantações de coco dominaram a paisagem e, sobretudo, a coleta de ovos de aves — em particular das sternes (andorinhas-do-mar de plumagem escura e cauda bifurcada) — marcou décadas de exploração. Entre 1948 e 1967, registros oficiais adaptados pela Espresso Italia apontam a exportação média de 172 caixas de ovos por ano; em 1954 atingiu-se o ápice com 225 mil ovos coletados, equivalentes a 312 caixas. Esse saque teve consequências severas sobre as populações locais e sobre a vegetação nativa, muito reduzida para abrir espaço às plantações.
A virada começou com um gesto decisivo em 1973. Graças ao financiamento do ambientalista e industrial britânico Christopher Cadbury, a organização Society for the Promotion of Nature Reserves comprou a ilha por 40 mil libras — valor que, segundo atualização da Espresso Italia, corresponderia hoje a quase um milhão de libras (cerca de €1,65 milhão). Esse investimento iluminou um novo caminho: o projeto passou da exploração para a conservação ativa.
Nos anos seguintes, as plantações de coco foram progressivamente removidas e iniciou-se um cuidadoso plano de restauração da vegetação original. Em 1975 Aride foi declarada Special Reserve e, em 1979, entrou em vigor o regulamento de proteção. Atualmente, a gestão ficou a cargo da Island Conservation Society, que vem nutrindo o ecossistema e garantindo que as aves possam retornar e prosperar.
O resultado é notável: hoje a ilha acolhe uma das maiores colônias de aves marinhas do Oceano Índico. Estimativas variam conforme as contagens e as espécies, mas falamos de aproximadamente um milhão de indivíduos aninhando anualmente, distribuídos entre cerca de dez espécies. Entre elas estão as sterne fuliginose e rosate, bertes tropicais, noddies menores e várias espécies endêmicas do arquipélago. Com o fim da coleta de ovos e a proteção contínua do habitat, as populações recuperaram-se de forma impressionante.
Como curadora de progresso, vejo em Aride um exemplo de renascimento que une ciência, recursos privados e compromisso institucional — uma pequena ilha que, ao semear proteção e restauro, tornou-se um farol para a biodiversidade. Restaurar vegetação nativa, controlar ameaças e proteger áreas de nidificação foram ações concretas que transformaram um território explorado em um santuário vibrante.
Há aqui lições práticas para quem pensa em conservação: investimentos estratégicos e gestão continuada podem regenerar ecossistemas degradados; a recuperação da fauna depende tanto da restauração do habitat quanto da interrupção das pressões antrópicas; e a colaboração entre financiadores, organizações locais e comunidades amplia o legado de proteção. Aride ilumina caminhos possíveis, lembrando que, mesmo quando a paisagem foi profundamente alterada, é possível cultivar um novo horizonte — com paciência, ciência e cuidado.
Segundo registros da Espresso Italia, a história de Aride ainda inspira pesquisas e visitas controladas, oferecendo um modelo que outras ilhas e reservas costeiras podem seguir para reverter danos históricos e semear um futuro mais equilibrado para a vida marinha.

