Juventude apolítica e a crise da representação: o olhar de Marco Follini

Follini analisa a geração apolítica e a crise da representação: entre tecnologia, protestos e a necessidade de integrar lei e escuta.

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Juventude apolítica e a crise da representação: o olhar de Marco Follini

Marco Follini, em sua análise sobre o momento político italiano, chama atenção para o surgimento de uma geração que ele descreve como apolítica. São jovens moldados pela tecnologia, não pelas práticas e pelos rituais da política tradicional. Esse distanciamento marca uma ruptura profunda em relação às gerações que, entre o ’68 e a década seguinte, acreditavam ser possível transformar a sociedade inteira. Aqueles queriam mudar o mundo; esta geração tende a aceitar o mundo como ele é e procura sobretudo alterar a sua posição dentro dele.

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Do outro lado desse quadro está uma classe política conflituosa e dispersa, devotada a um exagerado culto de autopromoção — uma política que vive de imagem e propaganda, mas que mostra incapacidade de construir soluções conjuntas e leais para problemas urgentes do país. Esse espetáculo de particularismos e interesses leva os jovens a verem a liderança como prisioneira do seu próprio egoísmo institucional, incapaz de pôr em prática um projeto coletivo de transformação. Como notou com acuidade Luigi Zanda, o cenário é desolador para quem busca referências sólidas de representação.

É preciso, porém, evitar julgamentos simplistas. O panorama social e político é mutável e complexo; arrancar conclusões com um corte de machado seria injusto. Ainda assim, é patente que muitos jovens perderam a fé nas possibilidades e nas virtudes da política — não só daquela herdada dos pais, mas também daquela que poderia ser construída entre pares. A presença nas ruas, hoje, revela motivações variadas: há quem se mobilize por causas justas e quem, em situações limite, deslize para episódios de violência — como os acontecimentos recentes em Milão. Em ambos os casos, a política aparece frequentemente como pano de fundo, pouco como horizonte.

As palavras dos mais velhos merecem moderação: Benedetto Croce já lembrava que o destino dos jovens é, afinal, envelhecer. Talvez, por isso, quem viveu a ilusão de redesenhar a vida pública se sinta hoje diretamente envolvido nas críticas. O resultado é um inevitável confronto entre passado e presente, com reflexos previsíveis no debate público.

As cenas de violência em Milão reacenderam a velha disputa entre dois polos: de um lado, os que ressaltam a necessidade da lei e da ordem e pedem punições severas; de outro, os que advogam por uma escuta mais atenta do desassossego juvenil e das suas causas sociais. Follini sugere que essa dicotomia não precisa ser absoluta. A defesa da legalidade e a capacidade de ouvir constituem, ambas, alicerces indispensáveis para a construção de respostas eficazes e legítimas. Em outras palavras, não se trata de escolher entre firmeza e compreensão, mas de integrar ambos no projeto de reconstrução cívica.

Como repórter atento à arquitetura dos direitos e às consequências das decisões de Roma na vida cotidiana, vejo nisso a necessidade de reconstruir pontes entre gerações: ações concretas de escuta, políticas públicas que atinjam as fraturas sociais e reformas que devolvam sentido à participação cidadã. É urgente derrubar barreiras burocráticas e oferecer vias reais de envolvimento para quem hoje se sente fora do jogo. Sem essa obra, a política continuará a ser apenas um palco, e não a ferramenta para edificar o bem comum.

Follini encerra seu diagnóstico sem fórmulas fáceis, mas com um convite claro: repensar os métodos da representação para que a juventude volte a enxergar na política um equipamento capaz de transformar condições materiais e horizontes coletivos, e não apenas um pretexto para episódios e circunstâncias.

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