Salvini no Congresso da Lega: se reeleito, irá ao Conselho de Ministros pedir o fim do envio de dinheiro e armas à Ucrânia
Salvini pede reconfirmação no congresso da Lega e promete ao Conselho de Ministros pôr fim ao envio de dinheiro e armas à Ucrânia se reeleito.
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Salvini no Congresso da Lega: se reeleito, irá ao Conselho de Ministros pedir o fim do envio de dinheiro e armas à Ucrânia
Do palco do congresso da Lega, o líder Matteo Salvini abriu o núcleo do seu discurso pedindo aos delegados uma confirmação direta da sua liderança. “Após um ano de debates não sobre as questões, mas sobre as pessoas, pergunto à minha comunidade se devo continuar como secretário: eu pergunto a vocês, não aos jornais”, afirmou, ressaltando que o congresso é a única arena legítima para o debate interno do partido.
Em posição clara e definida sobre a guerra, Salvini prometeu uma iniciativa prática caso seja reconduzido: “Se este congresso me reconduzir como secretário, me dará o mandato de ir ao Conselho de Ministros e levar a posição clara da Lega: não podemos continuar a mandar dinheiro para a Ucrânia”. A declaração inclui também a crítica ao envio de armamentos, uma linha que o líder pretende transformar em direção política formal do partido.
Salvini também apresentou o novo símbolo do partido, batizado de 'Lega Italia Federale'. Na nova imagem desaparece a dicotomia 'Salvini premier', mas permanece a figura estilizada de Alberto da Giussano. Segundo o líder, o nome remete à tradição inaugurada por Umberto Bossi em 1994, procurando reeditar as raízes históricas do movimento e construir um projeto que una “do norte ao sul” as várias correntes internas.
Com a metáfora de Davide contra Golias, Salvini desenhou a narrativa da formação: “Estamos aqui porque somos Davide contra Golias: pequenos contra os grandes — multinacionais, globalização, grandes bancos, grandes sindicatos, grandes mídias”. O alerta foi político e organizacional: se Davide deve enfrentar o sistema, o congresso precisa definir a direção e os alicerces dessa batalha.
Não faltou embate com a imprensa. Salvini refutou reportagens que alegavam que ele já teria preparado listas eleitorais, classificando-as como “mentiras dos jornalistas”. O secretário admitiu ter pedido pessoalmente aos organizadores que os repórteres fossem acomodados num nível inferior ao dos militantes e delegados, para “não contaminar” o ambiente do congresso, justificando que a imprensa “nunca nos amou” — expressão que voltou a usar para atacar a cobertura crítica.
No plano interno, o foco recai sobre o fortalecimento da estrutura local: Salvini defende maior protagonismo de administradores municipais e dirigentes regionais para reforçar a base do partido. A proposta busca erguer uma espécie de ponte entre a decisão de Roma e a vida concreta das comunidades, consolidando os alicerces organizativos e a ligação com eleitores, imigrantes e ítalo-descendentes.
Como correspondente que observa a arquitetura do poder, a cena montada no congresso revela uma tentativa de consolidar autoridade pessoal e institucional, alinhando símbolos, estratégia externa e disciplina interna. Se reeleito, Salvini quer transformar esse mandato em obra prática: uma política que pare de enviar recursos e armamentos à Ucrânia e que redesenhe a presença da Lega nos governos locais e centrais.

