Bruxelas pede urgência e coesão: evitar leis nacionais fragmentadas sobre a segurança dos menores online
Bruxelas pede urgência para evitar leis nacionais fragmentadas sobre a proteção de menores online e reforçar o mercado interno europeu.
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Bruxelas pede urgência e coesão: evitar leis nacionais fragmentadas sobre a segurança dos menores online
Por Marco Severini — Em Bruxelas, a Comissão Europeia lançou um apelo claro e estratégico para que o Parlamento Europeu e o Conselho da União Europeia acelerem a aprovação da futura lei europeia dedicada à segurança dos menores online. O porta-voz Thomas Régnier sublinhou, no briefing diário de 23 de outubro, que "não há tempo a perder" quando se trata de proteger crianças e adolescentes dos riscos do ambiente digital.
O alerta da Comissão surge num momento em que alguns Estados-membros optam por caminhos nacionais, com risco de produzir um mosaico regulatório. Exemplo recente: a Grécia aprovou uma lei que proíbe o acesso às redes sociais a menores de 15 anos, medida que entrará em vigor a partir de 1º de janeiro de 2027. Em resposta, Régnier afirmou estar "plenamente em sintonia com os Estados que desejam reforçar a proteção dos jovens", mas ressaltou que as propostas nacionais são notificadas e avaliadas pela Comissão de acordo com critérios comunitários.
A preocupação central da executiva comunitária é evitar a fragmentação do mercado interno — um objetivo que tem tanto peso político quanto econômico. Como num tabuleiro de xadrez, movimentos isolados dos Estados-membros podem criar zonas de atrito e custos de conformidade que enfraquecem os alicerces do mercado único. Por isso, a Comissão oferece "pareceres e recomendações detalhadas" às legislações nacionais notificadas, procurando alinhar medidas de proteção infantil com a coesão europeia.
O debate transcende o tema específico dos menores. Recentes desenvolvimentos judiciais fora da UE alimentam a urgência regulatória: um tribunal do Novo México condenou a Meta a pagar multa de 25 bilhões de dólares relacionada ao escândalo Cambridge Analytica, conhecido pela coleta indevida de dados de milhões de utilizadores do Facebook em 2018. No campo político, a Administração Trump voltou a criticar o DSA (Regulamento sobre Serviços Digitais), defendendo que a legislação europeia impõe "obrigações excessivas" às plataformas norte-americanas.
Régnier lembrou que a União Europeia detém o direito soberano de legiferar no domínio digital, exercendo-o com proporcionalidade. Tanto o DSA quanto o DMA (Digital Markets Act) aplicam-se não pela nacionalidade das empresas, mas pelo problema que enfrentam: empresas estadunidenses, asiáticas, chinesas e europeias estão sujeitas aos mesmos padrões quando operam no território da UE.
Do ponto de vista institucional, a Comissão também recorda que investigações iniciadas nos últimos dois anos — incluindo procedimentos envolvendo a Meta ao abrigo do DSA — demonstram a necessidade de instrumentos regulatórios claros e homogéneos. A complexidade do ecossistema digital exige regras que preservem tanto a segurança dos menores quanto a integridade do mercado interno.
Como analista, vejo nesta dinâmica um duplo desafio: consolidar normas europeias que funcionem como um marco comum de proteção, e simultaneamente gerir as repercussões diplomáticas e comerciais com parceiros externos. É um movimento decisivo no tabuleiro da governança digital: cada peça movida hoje poderá redesenhar fronteiras de responsabilidade e influência para a próxima década.

