Von der Leyen em Pristina: Kosovo tem futuro europeu, mas o avanço exige reformas decisivas
Von der Leyen reafirma futuro europeu do Kosovo em Pristina, mas exige reformas, diálogo com Belgrado e a ativação do parecer da Comissão.
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Von der Leyen em Pristina: Kosovo tem futuro europeu, mas o avanço exige reformas decisivas
Por Marco Severini — Em continuidade ao périplo pelos Balcãs Ocidentais, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, desembarcou em Pristina para um encontro institucional com o primeiro‑ministro Albin Kurti. A visita sucede a passagem por Tirana e assume caráter estratégico: reafirmar, num movimento simbólico e prático, a disposição da União Europeia de integrar os Balcãs quando as condições políticas e institucionais forem cumpridas.
Em conferência de imprensa conjunta, von der Leyen foi explícita: “Acredito num futuro europeu para o Kosovo”. A declaração não é mera retórica protocollar; é um convite à convergência de reformas internas e à articulação diplomática que pode transformar uma aspiração popular em um processo tangível de adesão.
Kurti recordou que, em dezembro de 2022, apresentou em Praga a candidatura formal do Kosovo à União Europeia. “A meio de dezembro serão quatro anos desde que protocolei o pedido”, disse o primeiro‑ministro, sublinhando progressos económicos e institucionais — entre eles, a saída do país, em julho de 2025, da lista do Banco Mundial de "Estados frágeis e em conflito".
Os indicadores mencionados por Pristina não são acidentais: o governo aponta o Kosovo como um dos países de crescimento mais acelerado na região e com um dos níveis mais baixos de dívida pública na Europa. No entanto, o caminho para obter o status de país candidato permanece condicionado a avanços estruturais.
Do lado técnico, a Comissão Europeia declarou‑se pronta para preparar o seu parecer sobre a candidatura kosovar, mas depende de um pedido formal do Conselho da UE. É aí que a diplomacia institucional deve mover‑se com precisão: sem esse sinal do Conselho, a máquina de avaliação administrativa não se ativa.
Von der Leyen apontou também o elemento financeiro como estímulo e condicionante. O Plano de Crescimento prevê até 882 milhões de euros para o Kosovo, dos quais já foram transferidos 61,8 milhões de euros em pré‑financiamento. Para desbloquear o remanescente é necessária uma "aceleração decisiva das reformas": medidas legislativas, combate à corrupção, reforço do Estado de direito e funcionamento pleno das instituições públicas.
Num tabuleiro de xadrez geopolítico, Pristina tem de executar movimentos coordenados: aperfeiçoar a governação interna e reabrir linhas de diálogo com Belgrado, condição imprescindível para dissipar os vetos e inseguranças regionais que retardam o processo europeu. Kurti solicitou a von der Leyen que interceda junto ao Conselho para que peça à Comissão o parecer formal sobre a candidatura.
O tempo é um treinador implacável: a base de apoio proeuropeia da população do Kosovo é sólida, mas essa vontade popular precisa de alicerces institucionais e reformas palpáveis. Como analista que observa a tectônica de poder no continente, enxergo essa etapa como um momento de dupla responsabilidade — de Pristina, por promover reformas críveis, e da UE, por traduzir promessas em passos concretos quando as condições forem cumpridas.
Em linguagem menos técnica: há uma janela de oportunidade; cabe ao Kosovo e aos seus interlocutores europeus alinhar movimentos para que a peça avance no tabuleiro em direção ao reconhecimento formal e ao estágio seguinte do processo de adesão.

