Cragnotti: “Esta Lazio lembra a de Zeman; com o público no Olímpico seria ainda mais forte”
Cragnotti vê semelhanças entre a Lazio de Gattuso e a era Zeman e critica boicote dos torcedores; com público no Olímpico, time seria mais forte.
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Cragnotti: “Esta Lazio lembra a de Zeman; com o público no Olímpico seria ainda mais forte”
Presente no Estádio Olímpico para acompanhar a vitória da Lazio sobre o Cagliari, o ex-presidente Sergio Cragnotti avaliou, em entrevista à Gazzetta dello Sport, os primeiros sinais da equipe comandada por Gattuso e fez uma leitura que vai além do resultado: vê ligações históricas e um componente social decisivo no momento do clube.
Cragnotti explicou que foi ao estádio com o filho Massimo motivado pela oportunidade de saudar a Lazio no topo da tabela, após a derrota do Inter no dérbi. A presença no jogo, segundo ele, serviu também para observar de perto uma equipe que, nas primeiras dez rodadas, vem acumulando méritos. "A equipe estava um pouco cansada pelo terceiro compromisso em oito dias, especialmente alguns jogadores. O Cagliari se fechou bem e não era fácil vencer. Que a equipe do Gattuso, mais com o coração do que com o jogo, tenha conseguido é mais um mérito às muitas coisas boas feitas até aqui", afirmou.
O ponto mais observado por Cragnotti foi a afinidade de estilo entre o time atual e a formação que ficou marcada na memória dos torcedores nos anos 90 com Zeman. "Vendo a equipe, noto algumas analogias: principalmente na forma de se posicionar em campo, na vontade contínua de atacar e de procurar o gol. Claro que as épocas são diferentes — nos anos 90 a Série A reunia os grandes campeões internacionais; hoje a configuração mudou —, mas o espírito ofensivo traz lembranças daquele futebol", disse o dirigente que comandou a Lazio entre 1992 e 2003.
Sobre as ambições do time, Cragnotti destaca um elemento intangible: o espírito de recuperação. "A verdadeira diferença, a meu ver, está no espírito de rivalidade que anima muitos jogadores e o próprio técnico Gattuso. A sociedade, representada pelo presidente Lotito e pelo diretor esportivo Fabiani, foi hábil em identificar elementos certos também nesse perfil", avaliou.
Um capítulo importante da entrevista foi dedicado à questão das manifestações dos torcedores — a ausência de público no Olimpico por boicote. Cragnotti assumiu posição crítica: aceita o direito à contestação, mas discorda que ela se processe dentro do estádio. "As contestações devem ser aceitas, não nego isso. Mas, se vão ocorrer, que se façam em outras instâncias, não no estádio. Assim a protesto se torna deletério porque deixa a equipe sozinha, e ela merece todo o afeto e tributo de seu povo", declarou.
O ex-presidente recordou que também foi alvo de protestos durante sua gestão, inclusive pela polêmica venda de Signori ao Parma — episódio que acabou sendo revertido. Mesmo assim, afirmou que o estádio jamais deveria vir a ficar vazio: "No domingo havia um pouco mais de gente, mas o Gattuso e seus jogadores mereceriam um Olímpico cheio. Com o público nas arquibancadas, essa Lazio ficaria ainda mais forte".
Mais do que um julgamento tático, as palavras de Cragnotti soam como um lembrete sobre o papel do estádio como espaço público e simbólico: quando a torcida se ausenta, perde-se um componente de identidade e de pressão social que moldou grandes ciclos. Em sua leitura, a receita para sustentar o momento passa por combinar espírito de equipe, escolhas corretas de direção e — sobretudo — o retorno do calor popular ao Olimpico.

