CyberShield AI Italia: prioridades e números da defesa digital italiana
CyberShield AI Italia em Roma aborda cibersegurança, IA e soberania tecnológica: dados, estratégias e prioridades para a defesa digital italiana.
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CyberShield AI Italia: prioridades e números da defesa digital italiana
No centro operacional da Caserma Salvo D’Acquisto, em Roma, o seminário CyberShield AI Italia reuniu instituições, indústria, pesquisa e parlamento europeu para mapear o estado da cibersegurança, da inteligência artificial e da soberania tecnológica aplicada à segurança nacional. O evento, promovido pela Associazione Nazionale Giovani Innovatori (ANGI) sob o patrocínio da Arma dei Carabinieri e em colaboração com o Parlamento Europeu, apresentou dados e recomendações do Observatório Innovazione e Difesa 2026.
Os números expostos por Roberto Baldassari mostram percepções relevantes entre os cidadãos: 38,4% dos italianos apontam a inteligência artificial como o principal fator de transformação da defesa nos próximos cinco anos; 27,6% destacam a centralidade do domínio ciber; e 34,2% consideram que a ameaça prioritária virá de ataques informáticos a infraestruturas civis e militares. Esses índices moldam a pauta de políticas e investimentos: não se trata apenas de tecnologia, mas de reorganizar os alicerces digitais do país.
O General de Divisão Marco Lorenzoni sublinhou o valor do diálogo multisectorial: "A resposta que devemos dar passa também por jornadas de confronto como esta, que reúnem instituições, empresas, pesquisa e universidades para conhecer numa forma aprofundada uma realidade em rápida transformação". A fala ressalta a necessidade de articular os diferentes nós do sistema — administrativo, industrial e acadêmico — como se fossem camadas sincronizadas de um mesmo sistema nervoso nacional.
No plano operacional, Luca Nicoletti, da Agenzia per la Cybersicurezza Nazionale (ACN), detalhou a estratégia para alcançar maior autonomia tecnológica. Segundo Nicoletti, o trabalho se desenvolve em duas frentes: reduzir a dependência de tecnologias externas à União Europeia e fomentar a capacidade empreendedora nacional. A ACN já lançou um programa de apoio a startups que financia 23 iniciativas italianas e dá suporte às 19 ações previstas na Cyber AI Strategy da UE — um exemplo concreto de como o fluxo de dados e recursos pode ser realocado para fortalecer a resiliência estratégica.
Sobre infraestrutura pública, Mario Nobile, Diretor-Geral da AGID, alertou para a mudança de escala: "O próximo cenário não atenderá apenas milhões de seres humanos, mas dezenas de milhões de agentes. O primeiro desafio é compreender como evoluir a infraestrutura digital pública para responder a esse novo e numeroso universo de usuários". A metáfora é clara: a malha urbana digital precisa ser redesenhada para suportar carga e complexidade crescentes, tal como se reforça uma rede elétrica diante de novos consumidores.
Ivano Gabrielli, Diretor do Serviço de Polícia Postale, trouxe a perspectiva da aplicação: hoje vivemos um cenário em que as demandas de segurança para proteger cidadãos e atividades econômicas se fundem com as necessidades de segurança nacional. No setor industrial, Biagio Mazzotta, presidente da Fincantieri, reforçou que, "em um mundo cada vez mais digital e interconectado, segurança, competitividade e autonomia tecnológica são partes de uma mesma estratégia".
Francesco Macrì, presidente da Leonardo, destacou o papel das cadeias de fornecimento estratégicas: a tutela e o desenvolvimento da autonomia tecnológica são uma agenda central para o país. Leonardo acompanha uma cadeia de 4.500 fornecedores, a maioria nacional (cerca de 84%), reforçando a ideia de que fortalecer filieres locais é parte essencial para garantir soberania e resiliência.
O encontro CyberShield AI Italia deixou claro que a defesa digital não é um compartimento estanque: é uma arquitetura integrada, onde políticas públicas, inovação empresarial e capacitação científica constroem os alicerces digitais capazes de sustentar a segurança nacional e a competitividade europeia.

