Doze países europeus pedem à UE reforço estratégico no Ártico diante de Rússia, EUA e China
Doze países europeus pedem que a UE fortaleça sua presença no Ártico diante das ações de Rússia, EUA e China; nova estratégia chega em outubro.
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Doze países europeus pedem à UE reforço estratégico no Ártico diante de Rússia, EUA e China
Por Marco Severini — Em um movimento coordenado, doze Estados europeus instaram a União Europeia a consolidar e ampliar sua presença no Ártico, diante do que classificam como ameaças crescentes vindas de Moscou e das movimentações dos EUA. A chamada consta de uma declaração conjunta divulgada ao término do European Arctic Summit, realizado em Rovaniemi, no norte da Finlândia.
O encontro reuniu vozes centrais da diplomacia e da política europeia, entre elas o chanceler alemão Friedrich Merz, a primeira-ministra da Dinamarca Mette Frederiksen e o ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noël Barrot. Em entrevista coletiva na manhã de segunda-feira, a chefe da diplomacia da União, Kaja Kallas, advertiu que os governos precisam manter-se "vigilantes" diante do aumento das atividades militares russas na região, bem como dos interesses da China sobre os recursos e rotas do Ártico.
Kallas anunciou que a UE apresentará, em outubro, uma nova estratégia para o Ártico que terá a segurança no centro. "É claro que esta área faz parte da arquitetura de segurança da Europa", sublinhou. A formulação de uma política europeia mais ativa no norte é, nas palavras dos signatários, um movimento decisivo no tabuleiro geopolítico do Atlântico Norte.
O Ártico não é apenas um espaço de soberania; é um corredor estratégico que conecta a América do Norte à Europa, sustentando rotas de transporte, comunicações e fluxos comerciais. Nas últimas temporadas, porém, a região tem se transformado em palco de manobras militares e interesse econômico estratégico.
Segundo a NATO, a Rússia aumentou "significativamente" sua atividade militar no Ártico: criou um novo Comando Ártico, reativou ou instalou estruturas militares e testou novos sistemas de armas. Paralelamente, a China expande sua presença por meio de interesses em minerais críticos, energia e novas rotas de comunicação, num redesenho de fronteiras invisíveis que reconfigura a tectônica de poder regional.
O encontro de Rovaniemi ocorreu logo após a visita da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, à Groenlândia. Bruxelas reiterou apoio ao território autônomo do Reino da Dinamarca e respondeu às repetidas provocações do ex-presidente Donald Trump, que chegou a defender a aquisição da ilha pelos EUA por razões de "segurança nacional". Em contrapartida, von der Leyen anunciou uma parceria de 200 milhões de euros com a administração local, fundos programados para este e o próximo ano.
Historicamente, no auge da Guerra Fria, os Estados Unidos mantiveram cerca de 17 instalações militares e mais de 10 mil soldados na Groenlândia. Hoje, permanece apenas a Pituffik Space Base, a instalação mais ao norte do Departamento de Defesa americano, utilizada para alerta, defesa antimisseis e vigilância espacial, segundo informações da US Space Force.
Do ponto de vista estratégico, a apelo dos doze países é um pedido por alicerces mais firmes na diplomacia europeia: trata-se de transformar vigilância em presença articulada — uma presença que combine diplomacia, investimentos e capacidades de segurança. Em termos de geopolítica, é um movimento destinado a preservar linhas vitais de comunicação e a mitigar riscos em um tabuleiro onde potências externas ampliam seus lances.
Enquanto a UE prepara sua nova estratégia para o Ártico, o desafio será equilibrar interesses econômicos e ambientais com medidas concretas de defesa e cooperação internacional, mantendo o princípio de que o Ártico não deve tornar-se zona de escalada, mas sim de gestão estratégica e estabilidade.

