Ex-agente marroquino ofereceu dados sobre Pegasus e buscou proteção na Espanha, revela investigação
Ex-agente marroquino ofereceu dados sobre Pegasus a Espanha e buscou proteção; investigação revela rota de fuga e destino desconhecido.
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Ex-agente marroquino ofereceu dados sobre Pegasus e buscou proteção na Espanha, revela investigação
Mehdi Hijaouy, ex-agente dos serviços de inteligência marroquinos, estabeleceu no verão de 2024 um contato delicado com o entorno do ex-deputado venezuelano Hugo "El Pollo" Carvajal, na tentativa de negociar informações e obter proteção contra uma eventual extradição para o Marrocos. A trama, revelada por apuração publicada por Teresa Gómez em 'The Objective', coloca em evidência movimentos discretos no tabuleiro da segurança internacional.
À época do primeiro contato, Hijaouy estava em França e, por temer pela segurança própria e da sua família, mudou-se posteriormente para a Espanha. Em busca de uma via institucional que lhe desse salvaguarda, recorreu a um advogado que já havia participado das negociações que levaram Carvajal a oferecer colaboração com a justiça espanhola em troca de evitar a sua entrega aos Estados Unidos.
Segundo fontes consultadas, o antigo agente alegou dispor de informações sensíveis sobre o funcionamento dos serviços de inteligência do Marrocos e manifestou-se disponível a cooperar com as autoridades espanholas. A oferta, formalizada por e-mail em 7 de outubro de 2024 e encaminhada à Audiencia Nacional por intermédio de um intermediário, prometia dados sobre espionagem feita com o software Pegasus dirigida contra o primeiro-ministro Pedro Sánchez e vários ministros, assim como informações relativas a terrorismo e à criminalidade organizada.
Em 28 de outubro de 2024, a resposta da Procuradoria, liderada por Jesús Alonso, foi clara do ponto de vista processual: o assistente do procurador indicou que, sendo o caso Pegasus já objeto de inquérito, as informações deveriam ser remetidas ao tribunal competente que acompanha o processo. Fontes judiciais consultadas por 'ABC' asseguram que a documentação proposta por Hijaouy nunca chegou às mãos do juiz José Luis Calama.
Frente ao fracasso da via de colaboração como meio de proteção, Hijaouy avaliou alternativas de refúgio, contemplando países como Canadá e Argélia. Optou por uma saída discreta da Espanha: roteiro que combinou uma travessia marítima e um voo privado, com escala na Turquia antes de seguir para destino ainda não confirmado. O seu paradeiro atual permanece desconhecido.
Da perspectiva da estabilidade internacional, este episódio é um movimento significativo na tectônica de poder entre Estados e agentes. A oferta de Hijaouy revela fissuras nos alicerces da diplomacia e na gestão de informações sensíveis: um ex-oficial, fora do quadro institucional, tentando negociar proteção mediante a entrega de segredos. É um lance que exige da Espanha — e dos seus parceiros — uma leitura estratégica cuidadosa, como um jogador que antecipa uma sequência decisiva no tabuleiro.
Enquanto as peças se recolocam, permanecem perguntas centrais: quem detém o controlo efetivo sobre as informações alegadas, que instrumentos internacionais podem garantir a segurança de denunciantes com passado em serviços secretos, e como se preservam os interesses de Estado sem sacrificar princípios fundamentais do processo penal. A resposta a essas questões determinará se o episódio será apenas um peão movimentado pela urgência ou um movimento que redesenhará fronteiras invisíveis na arena da inteligência e da diplomacia.

