PAC em xeque: UE diante do bivô — investir na agricultura ou empurrá-la para a margem
Fini (CIA) alerta: UE está em um bivio — investir na PAC e na agricultura ou marginalizar setor vital à segurança alimentar e coesão rural.
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PAC em xeque: UE diante do bivô — investir na agricultura ou empurrá-la para a margem
Cristiano Fini, presidente nacional da CIA - Agricoltori Italiani, lançou em Rimini uma advertência que deve ser lida como movimento estratégico no tabuleiro europeu: a União Europeia está a um bivio. Em discurso na abertura do Ecomondo, Fini sublinhou que a escolha que Bruxelas fizer sobre a futura programação da PAC definirá se a agricultura manterá seu papel central na segurança alimentar ou será progressivamente empurrada para os limites da política comunitária.
O diagnóstico é direto e pragmático. Segundo Fini, a UE precisa investir mais na política agrícola comum e, sobretudo, salvaguardar a PAC da inclusão no denominado "fundo único". Na avaliação do presidente da CIA, integrar a PAC nesse instrumento criaria uma competição interna entre políticas e Estados-membros — uma distorção que poderia ferir os princípios constitutivos do projeto europeu e gerar competição desleal entre agricultores do mesmo mercado.
Na ótica de Fini, a resposta exige um enfoque triplo: reforço das medidas por superfície, maior aporte financeiro a investimentos estruturantes no setor e incremento sistemático da pesquisa agrícola. Apenas assim, argumenta, a agricultura europeia terá condições de ser mais competitiva, tanto no mercado interno quanto frente a concorrentes externos.
Do ponto de vista estratégico, este apelo não é mera retórica setorial; trata-se de defender alicerces da estabilidade territorial e ambiental. A agricultura assegura não só a produção de alimentos, mas a coesão das zonas rurais, a preservação de ecossistemas e a capacidade de resposta a choques geopolíticos que afetam cadeias de abastecimento.
Fini enfatizou ainda a necessidade de dotar a futura Política Agrícola Comum de maior autonomia decisória, permitindo respostas calibradas às exigências de competitividade externa. Na linguagem do diplomata da informação, é preciso mover peças no tabuleiro europeu de modo a preservar vantagens estratégicas, promovendo investimentos que sejam ao mesmo tempo resilientes e inovadores.
O alerta de Rimini chega em um contexto mais amplo de inquietações sobre logística e confiança nas cadeias alimentares — temas que, segundo relatos recentes, têm evidenciado fragilidades que vão da Estônia à Bélgica. No interior de grupos parlamentares europeus também há resistências e negociações intensas sobre formatos e prioridades orçamentárias, o que transforma a próxima ronda de decisões sobre a PAC em um ponto de tensão decisivo para o futuro do setor.
Em síntese: a UE enfrenta uma escolha de grande alcance. Optar por investir significa reforçar os fundamentos da soberania alimentar e da sustentabilidade territorial; optar por relegar a agricultura ao segundo plano pode iniciar um redesenho de fronteiras invisíveis na tectônica de poder econômico e social do continente. Como em uma partida de xadrez bem jogada, cada recurso realocado e cada regra alterada terá consequências em várias jogadas futuras — e é essa visão de longo prazo que Fini convoca aos decisores.

