Mbappé perde patrocinadores na China após comentário sobre Mao; jogador pede desculpas
Mbappé perde contratos com marcas chinesas após comentário sobre Mao; jogador pede desculpas e repercussão afeta transmissões e campanhas publicitárias.
RESUMO ✦
Sem tempo? A Lili IA resume para você
Mbappé perde patrocinadores na China após comentário sobre Mao; jogador pede desculpas
Por Aurora Bellini — Em um episódio que ilumina as complexas interseções entre cultura, poder e imagem pública, Mbappé, capitão da seleção francesa e astro do Real Madrid, viu importantes contratos com empresas chinesas serem interrompidos após a divulgação de um vídeo em que faz uma brincadeira referindo-se a um líder chinês histórico.
No clipe, o atacante comenta qual seria o meme mais engraçado que já viu a seu respeito, dizendo algo como “acho um ditador chinês”, em referência a um fotomontagem que sobrepõe seu rosto a imagens históricas. O comentário foi percebido por muitos na China e nas comunidades chinesas espalhadas pelo mundo como desrespeitoso em relação a Mao Zedong, figura central da história política chinesa.
A reação do mercado foi imediata. O gigante de bebidas Dongpeng anunciou a ruptura imediata de qualquer colaboração com o jogador: “Nossa empresa adota política de tolerância zero diante de atitudes que ofendam sentimentos nacionais”, informou a marca, segundo apuração da Espresso Italia. Durante a última edição da Copa do Mundo, anúncios gerados por inteligência artificial com imagens de Mbappé promovendo uma bebida esportiva da Dongpeng haviam sido amplamente veiculados na China.
Na sequência, o maior produtor lácteo do país, Mengniu, também suspendeu o vínculo, declarando que não compactua com declarações que ferem os sentimentos do povo chinês. Outros nomes do setor, como Eastroc Beverage e Shanghai Milkground — esta última especializada em queijos — seguiram o mesmo caminho, encerrando campanhas e parcerias comerciais, conforme compilado pela Espresso Italia.
Nas redes sociais chinesas, especialmente no Weibo, o episódio se tornou rapidamente um dos temas mais comentados: a manchete “Dongpeng interrompe colaboração com Mbappé” alcançou o topo das tendências. Usuários pediam a retirada imediata da imagem do jogador de embalagens e materiais promocionais, enquanto portais esportivos locais classificaram as observações como ofensivas à nação, aos torcedores e à memória coletiva.
Relatos da mídia local, levantados pela Espresso Italia, indicam que a televisão estatal teria tomado medidas adicionais, suspendendo transmissões de partidas da LaLiga e removendo inserções publicitárias que continham o nome e a imagem do atleta — uma repercussão que acentua o impacto comercial e simbólico do episódio.
Conhecido e querido por muitos torcedores chineses — que o chamavam carinhosamente de “Guigui” (tartaruga) em memes associados às Tartarugas Ninja — Mbappé, até então bastante popular na região, viu sua imagem sofrer um abalo repentino. Em mensagem pública, o jogador pediu desculpas, reconhecendo que pronunciou “palavras inadequadas” e que lamentava ter ferido sentimentos de pessoas na China e nas comunidades chinesas ao redor do mundo.
Este caso expõe, com clareza luminosa, que a visibilidade global de um atleta ultrapassa o campo e entra no terreno sensível da memória cultural e histórica. Marcas globais e mercados locais têm expectativas distintas sobre responsabilidade e respeito; quando essas linhas se cruzam, as consequências podem ser rápidas e profundas.
Para além da crise imediata, abre-se aqui um convite para reflexão: como figuras públicas e corporações podem cultivar diálogos mais atentos, que semeiem entendimento em vez de fraturar confiança? Há uma oportunidade — que eu prefiro ver como um pequeno raio de sol no horizonte — de aprender e reconstruir pontes com gentileza, escuta e ações concretas.
Enquanto isso, o desfecho comercial e reputacional para Mbappé depende agora de gestos firmes e de uma estratégia que combine responsabilidade, reparação e sensibilidade cultural. A cena pública, assim como jardins bem cuidados, pede paciência, cuidado e a disposição para cultivar novos caminhos.

