ONU alerta: Terra pode aquecer 2,6°C até 2100 mesmo com compromissos climáticos

Relatório da ONU diz que a Terra pode aquecer 2,6°C até 2100 mesmo com compromissos; cortes drásticos de carbono são urgentes.

ONU alerta: Terra pode aquecer 2,6°C até 2100 mesmo com compromissos climáticos

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ONU alerta: Terra pode aquecer 2,6°C até 2100 mesmo com compromissos climáticos

Por Alessandro Vittorio Romano — A ONU revela, com a serenidade urgente de quem acompanha as estações, que as emissões globais em 2025 permaneceram em níveis recorde. No relatório anual sobre a lacuna entre metas e realidade, a organização traça um retrato claro: mesmo se os governos cumprirem os compromissos anunciados, o planeta está a caminho de um aquecimento global de cerca de 2,6°C até o ano de 2100.

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O secretário-geral António Guterres sintetizou o tom: "As emissões permanecem em níveis recorde. Os planos climáticos nacionais e as políticas atuais são perigosamente insuficientes". Em outras palavras, a colheita de promessas ainda não rega as raízes do bem-estar climático.

O relatório detalha que, entre os países que viram suas emissões crescer em 2025 — 124 no total — e os 63 que as reduziram (entre eles a maioria das nações europeias), o aumento agregado foi de 189 milhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente. Surpreendentemente, 70% desse incremento veio dos Estados Unidos, que registraram um acréscimo de 133 milhões de toneladas de CO2e, impulsionado pela maior demanda por eletricidade e pela retomada da geração a partir do carvão.

As projeções do relatório desenham dois caminhos: se os compromissos atuais apresentados às Nações Unidas forem integralmente implementados, a temperatura média global subiria aproximadamente 2,6°C acima dos níveis pré-industriais até 2100. Se, porém, o mundo continuar no ritmo atual, sem levar em conta esses compromissos, o aquecimento esperado alcançaria cerca de 2,8°C — um número praticamente idêntico ao estimado no ano anterior.

Ambos os cenários ultrapassam os objetivos do Acordo de Paris (manter o aquecimento bem abaixo de 2°C e, preferencialmente, limitá-lo a 1,5°C). Hoje, a temperatura global já se encontra cerca de 1,4°C acima dos níveis pré-industriais. Os oficiais da ONU reconhecem que limitar o aumento a 1,5°C tornou-se, na prática, inalcançável; restam esperanças numa trajetória que primeiro leve a cerca de 1,8°C e, depois, recupere parte do carbono atmosférico para tentar voltar a patamares mais seguros.

Guterres foi direto: o mundo está "perigosamente distante" até mesmo dessas metas intermediárias. Ainda assim, acrescentou, as ferramentas para virar a maré existem. É preciso ação imediata e profunda: o relatório aponta que cortes drásticos nas emissões de carbono — cerca de 18% até 2030 e 69% até 2040 — são necessários para reorientar o clima rumo a um futuro menos severo.

Como observador atento das estações e da respiração das cidades, vejo este relatório como um mapa da paisagem que queremos preservar: não basta prometer; é preciso cultivar práticas que alimentem o solo do nosso tempo — energias renováveis, eficiência, e justiça climática. O inverno da mente que insiste em adiar decisões fica caro demais quando a natureza mostra a fatura em forma de ondas de calor, secas e tempestades.

O caminho existe, mas exige que governos, empresas e cidadãos transformem intenções em gestos concretos. Só assim poderemos, coletivamente, resgatar a temperatura do nosso planeta e devolver ao corpo da Terra um ritmo mais harmonioso — uma verdadeira restauração da sua respiração.

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