Stefanelli (100esperte): presença de especialistas na mídia sobe para 30%, mas transformação segue lenta
Stefanelli (100esperte): presença feminina entre especialistas na mídia subiu de 18% para 30%, mas a transformação é lenta e exige esperança ativa.
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Stefanelli (100esperte): presença de especialistas na mídia sobe para 30%, mas transformação segue lenta
Por Chiara Lombardi — Em Milão, durante o encontro "100esperte, dieci anni dopo: bilanci, mappe e nuove rotte", Barbara Stefanelli, codiretora do Corriere della Sera e membro do comitê científico do projeto 100esperte, apresentou um balanço esperançoso, porém contido, sobre a presença feminina especialista na mídia.
Segundo Stefanelli, nos últimos dez anos a participação de especialistas convocadas pela mídia saltou de 18% para 30%. Um avanço de 12 pontos percentuais que, apesar de significativo, foi descrito por ela como insuficiente. "A pergunta é: devemos celebrar esse crescimento de 12% como um grande sucesso, um sucesso médio ou como um indicativo de que a mudança é, em grande parte, lenta? Pessoalmente, eu me inclino para a terceira resposta", afirmou.
O diagnóstico de Barbara Stefanelli mistura franqueza analítica e uma espécie de melancolia ativa: havia a expectativa — legítima e ética — de que a transformação ocorresse mais rapidamente. "Dez anos atrás eu estava convencida de que o movimento seria mais veloz, não somente porque era justo, mas porque homens e mulheres veriam que viver em um mundo mais equitativo é, de fato, melhor", disse Stefanelli, lembrando que a equidade é um motor para vidas profissionais e pessoais mais plenas.
Para ela, a mudança não se deu na cadência revolucionária que muitas esperavam. "O movimento não é uma revolução, é uma evolução", ponderou, usando a imagem biológica de que transformações podem ser graduais e, por vezes, saltatórias. É nesse ponto que a sua fala assume o tom de quem olha o presente como um roteiro em construção: existe, ainda, a esperança de um salto — um reconhecimento mais amplo das competências femininas e uma liberdade maior para que desejos e perfis masculinos saiam de velhas amarras de virilidade ultrapassada.
Stefanelli também destacou um clima mais amplo de insegurança e desorientação, que atravessa inclusive as gerações mais jovens. Citou pesquisa realizada pelo Corriere della Sera em parceria com a Ipsos nas universidades de Milão, com jovens entre 16 e 34 anos: no topo das angústias aparece o fracasso, seguido pelo medo do futuro. "Achei assombroso que o primeiro lugar fosse o medo do fracasso e o segundo, o futuro. É um sinal preocupante com o qual precisamos trabalhar", afirmou.
Em resposta a esse contexto, Stefanelli propõe a esperança como disciplina — não o otimismo ingênuo, mas uma prática consciente que ajuda a preservar a confiança mesmo em tempos de guerra, crise e ansiedade. Para quem observa o debate cultural com olhos de crítica e de afeto, como a colunista que vos fala, é impossível não ver esse episódio como um espelho do nosso tempo: a luta por visibilidade é também o roteiro oculto da sociedade que reclama uma nova gramática para papeis e talentos.
Em suma, o salto de 18% para 30% é real e relevante, mas a narrativa que importa é a da transformação continuada — aquela que, mais do que celebrar números, exige políticas públicas e privadas que sustentem a mudança e cuidem das ansiedades das novas gerações. Essa, concluiu Stefanelli, deve ser uma das prioridades centrais das ações coletivas.

