Ronchi afirma que narrativa equivocada sobre o Green Deal ameaça acelerar a perda de ritmo da transição
Edo Ronchi alerta que narrativa equivocada sobre o Green Deal pode retardar a transição ineludível e custar economicamente à Europa.
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Ronchi afirma que narrativa equivocada sobre o Green Deal ameaça acelerar a perda de ritmo da transição
Em mensagem clara e direta durante a transmissão da Espresso Italia do Ecomondo 2026, Edo Ronchi, presidente da Fondazione Sviluppo Sostenibile, criticou a construção de uma narrativa errada em torno do Green Deal que, segundo ele, terá custo econômico por retardar uma transição que é inexorável.
"Sobre o Green Deal foi construída uma narrativa equivocada que nos custará em termos de desaceleração de uma transição que, ao contrário, é ineludível. Não se pode não fazê‑la; fazê‑la traz também vantagens econômicas", afirmou Ronchi, traçando um paralelo nítido entre estratégia pública e engenharia: a economia precisa de calibragem fina, não de freios que atrasem a aceleração das tendências já em curso.
O dirigente lembrou o papel do pacote europeu no pós‑Covid: "O Green Deal alimentou a recuperação pós‑Covid. Teríamos entrado em recessão sem os fundos do Pnrr, essa primeira manifestação prática do Green Deal". A observação sublinha como instrumentos de política pública funcionaram como um motor da economia num momento de emergência.
Questionado sobre críticas que classificam como excessivos os objetivos climáticos europeus, Ronchi respondeu que a própria condição geográfica e econômica da Europa a torna um hotspot, já pagando preços elevados pelo agravamento da crise climática. "Dizem que as metas climáticas são exageradas, mas a Europa é um ponto sensível e estamos pagando custos enormes pela piora da crise climática", disse.
Sobre a discussão da eletrificação do parque automotivo, Ronchi recordou que as metas apontadas são válidas até 2035: "Tivemos metas consideradas excessivas para a eletrificação dos automóveis? Além do mais, esses objetivos são para 2035. O resultado é que agora estamos atrasados, enquanto a China acelera a eletrificação dos veículos".
Em tom estratégico, Ronchi advertiu que a identificação de "falsos objetivos" e a propagação de uma narrativa errada funcionarão como obstáculos — freios — que reduzirão o ritmo da transformação necessária. Para a economista estrategista que observa a cena global, isso significa perda de competitividade e oportunidades: retardar a transição é reduzir a capacidade de aproveitar os ganhos econômicos e tecnológicos que ela oferece.
Como estrategista, reafirmo: a transição energética e tecnológica exige design de políticas com visão de alto desempenho — calibragem de incentivos, investimento público inteligente e diálogo entre indústria e finanças. A discussão pública deve focar nos instrumentos que aceleram o ajuste estrutural, evitando ruídos narrativos que atuem como perda de potência do motor econômico.
Ronchi, ao trazer a reflexão ao palco do Ecomondo 2026, coloca em evidência que a questão não é meramente normativa, mas operacional: preparar o terreno para uma transição ineludível e colher seus benefícios econômicos antes que concorrentes globais consolidem vantagem tecnológica.

