Caso Garlasco: indícios que levaram à condenação de Alberto Stasi e novo pedido de processo contra Andrea Sempio
Reabertura do Caso Garlasco: indícios que sustentaram a condenação de Alberto Stasi e novo pedido de processo contra Andrea Sempio 19 anos após o crime.
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Caso Garlasco: indícios que levaram à condenação de Alberto Stasi e novo pedido de processo contra Andrea Sempio
Garlasco permanece no centro de perguntas não respondidas. O homicídio de Chiara Poggi, ocorrido em 13 de agosto de 2007, culminou na condenação transitada em julgado de Alberto Stasi, 43 anos, então ex-aluno da Bocconi. Mesmo com a sentença definitiva, subsistem lacunas e dúvidas na investigação que, quase duas décadas depois, seguem a demandar esclarecimentos.
Na outra ponta do caso figura Andrea Sempio, 38 anos, ex-vendedor em loja de telefonia, hoje mencionado apenas como presumível agressor. A Procuradoria de Pavia, sob a assinatura do procurador Fabio Napoleone, apresentou pedido de rinvio a processo contra Sempio — medida que agora cabe ao juiz per il dibattimento preliminare avaliar. Importa lembrar que as acusações contra Sempio haviam sido arquivadas em 28 de março de 2017 por solicitação da mesma Procuradoria, quando dirigida por Mario Venditti. A reabertura do inquérito, 19 anos após o crime, reacende incertezas similares às que cercaram a condenação de Stasi.
Para reconstruir o quadro factual é necessário confrontar os elementos que determinaram a culpa de Stasi com os novos indícios levantados contra Sempio. A Corte di Cassazione, em 12 de dezembro de 2015, assentou que existiam sete elementos que permitiam considerar Stasi culpado "al di fuori di ogni ragionevole dubbio". Entre esses fatores destacam-se a presença de uma "copiosa quantità" de DNA de Chiara nos pedais da bicicleta atribuída ao ex-bocconiano e as supostas incongruências na versão apresentada por Stasi.
Stasi declarou ter encontrado o corpo da vítima, mas a ausência de manchas de sangue nas solas de seus sapatos e no tapete do seu carro, assim como a descrição do estado em que encontrou Chiara, levaram os magistrados a duvidar de sua narrativa. A corte também salientou que, por volta das 9h da manhã do dia do crime, a vítima dificilmente teria aberto a porta a um desconhecido; e que a impressão da sola de uma sapato Frau nº 42 — mesmo número usado por Stasi — foi identificada na cena. Ainda foram apontadas duas impressões digitais atribuídas ao seu anulare direito no dispenser de sabonete, supostamente usado pelo agressor para lavar as mãos após o homicídio.
Outro ponto levantado pelos julgadores foi o fato de Stasi não ter mencionado, inicialmente, a bicicleta preta encontrada na oficina do pai, bicicleta que testemunhas, como Maria Grazia Bermani, afirmaram ter visto nas proximidades da casa da vítima na manhã do crime. O alegado álibi de Stasi — ter ligado o computador às 9h35 para trabalhar na tese — foi considerado insuficiente para excluí-lo da cena, tendo em vista que, segundo os autos, Chiara teria desativado o alarme às 9h12, horário compatível com a entrada do suposto agressor.
Quanto a Andrea Sempio, o pedido de processo assinado pelo procurador Napoleone cita cerca de vinte elementos probatórios, dos quais se destaca o DNA identificado nas margens das unhas da vítima, que apontaria compatibilidade com o perfil do suspeito. A acusação agora seguirá para a avaliação do juiz de instrução, que decidirá se abre um processo formal.
O panorama é de contradições e provas técnicas que exigem cruzamento meticuloso de fontes e perícias. A reabertura e o novo pedido de julgamento tornam urgente um raide ao conjunto probatório: confrontar amostras de DNA, reavaliar testemunhos e verificar cronologias com precisão. Em suma, trata-se de um caso cujo roteiro judicial segue em construção, com fatos brutos que obrigam a investigação a permanecer sob lente rigorosa — sem atalhos, sem ruído.

