HPV: coberturas vacinais ainda longe dos 95% alvo; Pisa pede aceleração imediata
HPV: Itália registra 70% de cobertura em meninas e 60% em meninos; especialista da UniPi alerta para acelerar vacinação rumo a 95% até 2030.
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HPV: coberturas vacinais ainda longe dos 95% alvo; Pisa pede aceleração imediata
Por Giulliano Martini — Em Roma, durante o congresso "Eliminazione delle patologie Hpv-correlate: utopia o possibilità reale?", a professora Caterina Rizzo, de Igiene e Medicina preventiva da Universidade de Pisa, fez um diagnóstico claro e sem rodeios: as atuais taxas de vacinação contra o HPV na Itália estão muito aquém da meta estabelecida para 2030.
O Plano Nacional de Prevenção Vacinal define o objetivo de alcançar 95% de cobertura vacinal tanto entre meninas quanto entre meninos. No entanto, segundo Rizzo, "a 15 anos o ciclo vacinal completo atinge 70% das meninas e 60% dos meninos". "Essas cifras — disse a professora — indicam um gap que precisa ser preenchido com urgência: se não mudarmos o ritmo, não alcançaremos a meta e, consequentemente, não conseguiremos eliminar as patologias relacionadas ao HPV".
O diagnóstico traçado em Roma destacou dois vetores principais para o atraso. O primeiro é organizativo: existe na prática uma fragmentação da oferta vacinal. "Atualmente temos 21 ofertas diferentes nas 21 Regiões e Províncias Autônomas, com targets e faixas etárias diversas entre meninos e meninas — explicou Rizzo —. Essa desomogeneidade gera confusão e iniquidade, e deveria ser corrigida por uma ação política e financeira coordenada".
O segundo fator é a hesitação vacinal. Rizzo sublinhou que a vacina é aplicada a partir dos 11 anos e que "frequentemente os pais adiam a imunização, tanto nas filhas quanto nos filhos". "Não devemos ter receio: a vacina é segura e eficaz", afirmou, pedindo uma atuação proativa para recuperar os adolescentes que não foram vacinados dentro das janelas de oferta gratuita.
Quanto às medidas concretas, a especialista recomendou ampliar os pontos de acesso: médico de família, pediatra de escolha, serviços vacinais, farmácias, hospitais e escolas. "Qualquer setting que garanta equidade é bem-vindo", disse. Rizzo citou modelos de sucesso no território italiano, em especial a experiência da ASL de Taranto, onde a vacinação em ambiente escolar tem conseguido coberturas acima de 90%. "Se trabalharmos diretamente nas escolas e com as comunidades estudantis, podemos atingir a meta do Plano Nacional", observou.
O chamado final foi por uma combinação de medidas: padronização das ofertas entre as regiões, intensificação das campanhas de informação para reduzir a esitazione, ampliação dos pontos de vacinação e ações ativas de rastreamento para localizar e imunizar quem ficou de fora. "Devemos recuperar ativamente quem não foi protegido quando poderia ter sido", concluiu Rizzo, em tom técnico e contundente.
O quadro apresentado exige, portanto, uma resposta imediata e coordenada entre poderes públicos, serviços de saúde e escolas. A meta de 95% até 2030 permanece tecnicamente possível, desde que se acelere o passo — e que sejam removidas barreiras organizativas e culturais que hoje mantêm os índices de cobertura abaixo do necessário.

