Reintegração de médicos no‑vax provoca reação: Cognetti fala em 'ferida grave' e ofensa às vítimas do Covid
Cognetti (Foce/Fossc) critica aprovação que permite reintegro de médicos no‑vax radiados, chamando-a de ofensa às vítimas do Covid e risco à profissão.
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Reintegração de médicos no‑vax provoca reação: Cognetti fala em 'ferida grave' e ofensa às vítimas do Covid
Por Giulliano Martini — Em nota oficial, Francesco Cognetti, presidente da Foce (ConFederazione degli oncologi, cardiologi ed ematologi) e coordenador da Fossc (Forum delle società scientifiche dei clinici ospedalieri ed universitari Italiani), classificou como uma 'grave ferida' a possibilidade de reintegração dos médicos no‑vax que foram radiati do Albo durante a pandemia, após a aprovação do art. 8 do Ddl sobre profissões sanitárias pela Câmara.
O artigo permite que médicos expulsos por não terem se vacinado contra o SARS‑CoV‑2 peçam o reintegro no registro profissional. Para Cognetti, a norma representa não apenas um problema de natureza institucional, mas uma afronta direta à memória das vítimas do Covid e um desrespeito às centenas de profissionais que se empenharam para salvar vidas — alguns dos quais perderam a própria vida em serviço.
'Os atos médicos devem sempre encontrar sua justificativa nas evidências científicas', afirma Cognetti. 'Qualquer desvio grave desses princípios implica, necessariamente, a avaliação de responsabilidades profissionais e deontológicas dos médicos.' A declaração reforça que a bioética e a prática clínica não são compatíveis com decisões contrárias às melhores evidências disponíveis.
O comunicado também pondera a escala do tema: a norma afetaria apenas cerca de 0,2% do total de médicos italianos, segundo o dirigente. Ainda assim, Cognetti qualifica o dispositivo como um 'grave vulnus' à confiança pública e à dignidade da profissão médica.
Na mesma nota, ele saúda as manifestações públicas da senadora Craxi e da deputada Moratti, que teriam indicado a intenção de trabalhar por mudanças substanciais durante o exame do texto no Senado. Para Cognetti, é imprescindível que o Parlamento reintroduza salvaguardas que preservem a segurança dos pacientes e a tutela das atividades clínicas em prol dos cidadãos doentes.
Em termos práticos, a controvérsia implica duas frentes operativas: a revisão legislativa, para clarificar os critérios e os limites do reintegro; e os mecanismos de avaliação profissional, que devem permanecer vinculados às normas científicas e aos códigos deontológicos. A discussão também acende alerta sobre precedentes institucionais: como reconciliar reintegrações com eventuais processos disciplinares já concluídos e com a confiança pública no sistema de regulação profissional?
O posicionamento de Cognetti chega em um momento sensível do debate público, com forte repercussão entre sociedades científicas, ordens profissionais e representantes políticos. A expectativa agora é que o Senado examine o artigo 8 com foco técnico e que promova ajustes que mantenham a integridade da profissão médica e a proteção das vítimas do Covid.
Apuração in loco e cruzamento de fontes apontam para uma tramitação legislativa que ainda pode alterar o texto. Permanecemos atentos ao desenrolar no Senado, onde as próximas semanas serão decisivas para o futuro da norma.

