Alessandro Borghi faz 40 anos: a felicidade entre família, amigos e a reinvenção do ator
Alessandro Borghi faz 40 anos: reencontro com família, amigos e a transformação artística que definiu sua carreira.
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Alessandro Borghi faz 40 anos: a felicidade entre família, amigos e a reinvenção do ator
Por Chiara Lombardi — Em cena e fora dela, Alessandro Borghi chega aos 40 anos com o peso leve de quem redescobriu prioridades. Não se trata apenas de celebrar um número: é o epílogo e o prólogo de uma carreira que atravessou títulos decisivos do cinema italiano contemporâneo e um percurso íntimo marcado pela paternidade, pelo afeto e por uma nova relação com o ofício.
O ator, que completa 40 velas em 19 de setembro, conta à Espresso Italia que a sua força hoje nasce “na minha compagna Irene, nel mio figlio e nei miei dieci amici” — escolha de vida que desmonta a narrativa clássica do sucesso como medida única de realização. “La felicità è nella mia famiglia e nei miei amici, il successo non c’entra”: uma sentença que funciona como um pequeno reframe da equação do estrelato.
Do ponto de vista profissional, a trajetória de Borghi tem a contundência de um roteiro que revisita temas recorrentes: a busca de identidade, a culpa, a amizade como âncora e o corpo como campo de transformação. Ele começou nos sets como dublê em Cinecittà, passou pelo filme Cinque e encontrou a consagração em Non essere cattivo de Claudio Caligari — um papel em que devolve, com microgestos, a desesperança de quem quer sair de um ciclo autodestrutivo.
Depois vieram os desafios de mutação: interpretar Stefano Cucchi em Sulla mia pelle (papel que lhe rendeu um David di Donatello), encarar o sotaque abruzzês em Supersex como Rocco Siffredi, falar um proto-latim em Il primo re, atuar em inglês em Diavoli ao lado de Patrick Dempsey e até se expressar em espanhol em Il prigioniero. Entre esses gestos de invenção se destaca também Aureliano de Suburra, um anti-herói marcado por impulsos, solidão e uma fome de afirmação.
Aqui reside a grande assinatura de Borghi: a transformação. Não apenas as mudanças externas — corpo, voz, língua —, mas a capacidade de se dissolver e reaparecer em personagens que espelham o tempo. Em Le otto montagne, por exemplo, constrói uma amizade que persiste mesmo quando os caminhos se separam; em Sulla mia pelle, encarna a violência da máquina social sobre o indivíduo.
Hoje ele retorna às telas com papéis diferentes entre si — ambos apresentados na 83ª Mostra de Veneza —: em Serpenti é um policial romano cuja estranheza roça o verossímil e, em Nessun dolore, um livreiro que acrescenta camadas ao repertório do ator. Borghi diz ter sentido, em determinado momento, que “a máquina do cinema se deu conta de mim”: uma experiência que o fez “viajar com os pés um pouco no ar”, mas que também o levou a repensar prioridades.
Se o sucesso lhe abriu portas, a verdadeira conquista de Alessandro Borghi aos 40 é a conciliação entre a vida privada e a vocação artística. É o reconhecimento de que o roteiro pessoal pode ser tão decisivo quanto qualquer personagem que o consagra. Como um espelho do nosso tempo, ele transforma a imagem pública em um gesto íntimo: escolher a família, escolher os amigos, escolher a resiliência — e transformar essas escolhas em combustível criativo.
Num instante em que celebramos trajetórias, Borghi nos lembra que o ápice não está no aplauso, mas na calma de quem encontra, no horizonte cotidiano, o que de fato importa.

