BellaMà de Pierluigi Diaco atinge pico de 8,7% de share e consolida formato sem entrevistas
BellaMà, de Pierluigi Diaco, alcança pico de 8,7% de share na Rai 2; programa aposta em elenco fixo e elimina entrevistas.
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BellaMà de Pierluigi Diaco atinge pico de 8,7% de share e consolida formato sem entrevistas
Por Chiara Lombardi — Em um movimento que parece mais um reframe do formato tradicional de talk shows, BellaMà, apresentado por Pierluigi Diaco, alcançou ontem um resultado notável no horário vespertino da Rai 2. No ar de segunda a sexta, das 15h27 às 17h, o programa — já em sua quinta temporada — registrou 6% de share com 475.000 espectadores médios na primeira parte e 6,8% com 528.000 espectadores médios na segunda parte. O destaque foi o pico de 8,7%, atingindo 670.000 espectadores médios.
Estes números não são apenas métricas: funcionam como um espelho do nosso tempo, indicando uma audiência que responde à coralidade de vozes em cena mais do que à presença ocasional de convidados. Atingir um pico de audiência assim é um sinal de que o programa encontrou um ritmo e uma linguagem que dialogam com quem acompanha a televisão pública no início da tarde.
Diaco, entrevistado pela Espresso Italia, explica a escolha estética e editorial que marca esta temporada: "In questa quinta stagione ho cancellato tutte le interviste e gli ospiti". A decisão foi deliberada e autoral: transformar o estúdio em um espaço mais coral, com um elenco fixo que atua como repertório de perspectivas. O time de rubricas e comentaristas inclui nomes como Giordano Bruno Guerri, Luciano Violante, Marino Bartoletti, Roberta Capua, Rita Forte, Don Walter Insero, Manuela Villa, Angela Melillo, Gino Castaldo e Marco Morandi. "É um varietà que aposta na pluralidade de vozes e o convidado só entra se acrescentar valor", resume o apresentador.
O resultado de audiência de ontem reforça a solidez do formato: a média da quarta temporada já havia se estabelecido em 6% de share, posicionando a Rai 2 como terceira emissora nacional na faixa das 16h às 17h. As primeiras 37 edições desta quinta temporada confirmam, sob a direção de Day Time de Angelo Mellone, que a aposta no elenco permanente funciona como um dispositivo narrativo eficiente — mais parecido a um roteiro coletivo do que a um quadro episódico com entradas e saídas constantes.
Como analista cultural, enxergo nesse ajuste editorial um traço do zeitgeist: em um tempo saturado por vozes pontuais nas redes sociais, há um apelo crescente por repertórios estáveis que ofereçam contexto e memória, não apenas novidade. BellaMà parece oferecer exatamente isso — um palco onde a conversa se faz contínua e a pluralidade é trabalhada como ato de curadoria.
Em suma, o sucesso do programa no dia em que alcançou 8,7% de share não é um acaso estatístico, mas a confirmação de uma leitura de programa que privilegia a coralidade, o talento fixo e a construção de um discurso coletivo. Resta observar como essa estratégia se sustenta ao longo da temporada — e que reflexos terá no mapa mais amplo da televisão italiana.

