Metade dos italianos não paga impostos: 19% arca com 65% da IRPEF

Relatório revela que 19% dos contribuintes paga 65% da IRPEF; quase metade dos italianos não declara rendimentos. Impactos sobre o welfare e recomendações fiscais.

Metade dos italianos não paga impostos: 19% arca com 65% da IRPEF

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Metade dos italianos não paga impostos: 19% arca com 65% da IRPEF

O mais recente relatório do Osservatorio Itinerari Previdenziali, apresentado no CNEL durante as celebrações do 80.º aniversário da CIDA, revela um diagnóstico duro sobre o atual fisco italiano: quase metade da população vive sem declarar rendimento e, portanto, está, na prática, «a cargo» dos demais cidadãos. Um universo reduzido — 18,78% dos contribuintes — que declara rendimentos a partir de €35.000 assume sozinho cerca de 65% de toda a IRPEF.

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Em números, o panorama é claro e sintomático da assimetria fiscal: são 42.837.963 pessoas que apresentaram declaração de rendimentos em 2024, das quais 34.105.072 efetivamente versaram pelo menos €1 de IRPEF. Ainda assim, o grosso do peso recai sobre um núcleo de aproximadamente 8 milhões de contribuintes que declaram cerca de €35.000 brutos anuais — o equivalente, grosso modo, a €2.000 líquidos mensais — e que respondem por 65% do imposto sobre o rendimento das pessoas físicas.

No lado oposto, quase 24,8 milhões de italianos não apresentam declarações de rendimentos, contribuindo pouco ou nada para as receitas diretas que sustentam o sistema público. Esse descompasso pressiona o financiamento das principais funções de bem-estar social: em 2024 foram necessários €138,33 bilhões para a despesa sanitária, €180,5 bilhões para assistência social e mais €13,5 bilhões para o welfare dos entes locais.

Para suportar apenas essas três funções — que, na falta de contribuições específicas, recaem sobre a fiscalidade geral — foi preciso mobilizar praticamente todas as receitas de impostos diretos (IRPEF, IRES, IRAP, ISOST e adicionais territoriais), um total de €325,27 bilhões, além de ao menos €7 bilhões vindos de impostos indiretos. Em termos agregados, a conta fiscal gira em torno de €200 bilhões só de IRPEF, mas, como aponta o estudo, «a pagar são os mesmos de sempre».

Como economista com visão estratégica, observo que este quadro exige uma calibragem fina: é preciso redesenhar o sistema fiscal para que o motor da economia não continue a trabalhar com cilindros desiguais. A atual concentração da carga tributária sobre um reduzido conjunto de contribuintes cria riscos de sustentabilidade e distorce incentivos ao trabalho e ao investimento — um fator que afeta a aceleração do crescimento e a eficácia das políticas públicas.

As políticas possíveis passam por uma combinação de medidas: revisão das bases de incidência, mecanismos de tributação de rendimentos não declarados, combate à evasão e maior focalização de benefícios sociais para reduzir a pressão sobre os contribuintes médios. Sem uma arquitetura fiscal mais justa e técnica — quase como a recalibração de um sistema de injeção de alta performance —, o país permanecerá vulnerável a choques e a tensões sociais.

O relatório do Osservatorio serve de alerta: a sustentabilidade do welfare italiano depende tanto da eficiência da arrecadação quanto da equidade na distribuição do esforço contributivo. A tarefa é complexa, exige diagnóstico preciso e políticas de engenharia fiscal à altura do desafio.

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