Torcida do 'terror': 10 membros da Bamor do Bahia presos por tortura e extorsão
Dez integrantes da torcida Bamor do Bahia são presos por tortura, extorsão e organização criminosa; apreendidos martelos e bastões na sede.
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Torcida do 'terror': 10 membros da Bamor do Bahia presos por tortura e extorsão
Por Otávio Marchesini, Espresso Italia
Uma operação policial desarticulou, nos últimos dias, um núcleo violento ligado à torcida organizada Bamor, do clube brasileiro Bahia. Dez pessoas foram presas suspeitas de terem submetido associados a sessões de violência física e psicológica nas dependências da sede do grupo. Entre os detidos estão o presidente Matheus Pires Castro e o vice-presidente Luciano Silva Venancio, apontados pelas investigações como líderes do esquema.
Segundo os autos, as agressões ocorreriam em ambientes isolados — como salas nos andares inferiores e a sala de direção — e tinham como objetivo arrancar confissões sobre supostas irregularidades na gestão de recursos da torcida. Testemunhos colhidos relatam episódios de tortura prolongada, com vítimas sendo espancadas por horas e submetidas a ameaças de morte contra si e suas famílias. Ferramentas como martelos, facas e uma mazza similar a um bastão de beisebol foram reconhecidas pelas vítimas e apreendidas pela polícia.
As acusações incluem organização criminosa, tortura, roubo, extorsão e ameaças. Entre os relatos, destaca-se o de um ex-responsável pelo setor de assinaturas, que descreveu agressões repetidas e intimidações sistemáticas. Outro associado, responsável pelos serviços de informática do grupo, afirmou que foi coagido a fornecer senhas bancárias, com movimentações financeiras posteriores no seu nome.
A operação policial cumpriu 15 mandados de busca e apreensão. Na sede da Bamor, foram recolhidos os instrumentos indicados pelas vítimas e documentos que agora integrarão o inquérito. A mobilização das autoridades traduz a crescente preocupação das instituições com a violência interna em grupos organizados de torcedores — um fenômeno que, além de criminalidade, também corrói a legitimidade e a imagem pública das próprias agremiações esportivas.
Como analista, é preciso situar o episódio em um quadro mais amplo: as torcidas organizadas ocupam um lugar ambivalente na vida do futebol brasileiro. São, simultaneamente, agentes de sociabilidade, representatividade local e, por vezes, mecanismos paralelos de poder dentro e fora dos estádios. Quando estruturas internas se degeneram em práticas criminosas, o impacto ultrapassa a esfera penal e atinge a confiança coletiva — dos sócios, dos torcedores e da sociedade sobre a capacidade dos clubes e do Estado de protegerem associados e torcedores.
Para o Bahia, a crise impõe decisões que misturam urgência e responsabilidade institucional: apurar, afastar possíveis envolvidos, cooperar com as investigações e revisar mecanismos de governança que permitam maior transparência na gestão de recursos das afiliadas e torcidas. Do ponto de vista social, trata-se também de uma oportunidade para repensar como o fervor e a identidade coletiva podem ser canalizados longe da violência e da impunidade.
O desdobramento do caso seguirá sob investigação. A denúncia formal contra os indiciados agora aguarda as próximas etapas judiciais, e a sociedade esportiva observa com atenção — não apenas pelo escândalo em si, mas pelas implicações institucionais que um episódio dessa natureza impõe ao futebol e às suas comunidades.

