Sarri desafia o VAR após contato Kalulu-Rowe: 'Se não chama, melhor abolir'

Sarri critica o VAR após não marcar contato Kalulu-Rowe: 'Se o VAR não chama, melhor abolir', e acende debate sobre consistência na arbitragem.

Sarri desafia o VAR após contato Kalulu-Rowe: 'Se não chama, melhor abolir'

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Sarri desafia o VAR após contato Kalulu-Rowe: 'Se não chama, melhor abolir'

Por Otávio Marchesini — Em uma leitura que vai além do imediatismo do resultado, Maurizio Sarri transformou a ausência de um pênalti na partida entre Atalanta e Juventus em um argumento institucional sobre o papel do VAR no futebol contemporâneo. Na coletiva após a derrota dos bergamaschi no Stadium de Turim, o técnico não apenas criticou uma decisão específica: questionou a razão de ser de um mecanismo que, quando não age em lances evidentes, fragiliza a confiança coletiva no árbitro e na tecnologia.

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'O VAR? Melhor nunca do que demais. Entre as duas preferências, prefiro nunca, mas se o VAR não chama o árbitro para um episódio assim, podemos tirá-lo', disse Sarri, referindo-se ao contato entre Kalulu e Rowe que, ao redor dos 30 minutos do primeiro tempo, gerou protestos contundentes da delegação nerazzurra contra o árbitro Zufferli.

O técnico foi cirúrgico ao traduzir a queixa em termos práticos: 'Havia a possibilidade de fazer dano, nós nos acendemos só numa ocasião com Rowe mas é pouco. O contato entre ele e Kalulu? O limiar dos contatos pode ser baixado ou elevado. Se uma falta é falta, deve ser marcada'. A frase encerra uma reflexão simples, porém profunda: a consistência interpretativa é condição necessária para que a tecnologia cumpra sua missão corretiva, e não gere, ao contrário, mais ruído.

Como observador que investiga o esporte como fenômeno social, não me interessa apenas se houve ou não pênalti: interessa o que esse tipo de lance revela sobre a relação entre clubes, árbitros e torcedores numa era em que decisões são reexaminadas em tempo real. A posição de Sarri sintetiza uma frustração recorrente — a sensação de que a régua de faltas oscila em função de variáveis líquidas, seja o contexto do jogo, o local da partida ou a sensibilidade de quem analisa o replay.

O episódio no encontro com a Juventus é emblemático por vários motivos. Em primeiro lugar, trata-se de uma partida em que a Atalanta procurava afirmar um padrão ofensivo e acabou limitada a poucas ocasiões claras, uma delas envolvendo Rowe. Em segundo, lança luz sobre a autoridade do árbitro Zufferli em momentos decisivos: a tecnologia deveria suplementar, não contradizer, o juízo de campo. Quando isso não acontece, cria-se uma lacuna de legitimidade.

Mais do que a indignação imediata de um treinador, a declaração de Sarri é um convite ao debate público sobre como queremos que o futebol seja arbitrado no futuro: com uma tecnologia que sirva de escudo à justiça esportiva ou com um aparato que, por inconsistência, amplie a sensação de injustiça. A resposta demandará ajustes técnicos, treinamento de árbitros e, sobretudo, uma decisão coletiva das federações sobre o limiar que define 'falta'.

Enquanto isso, resta à Atalanta o desafio prático de reagir no próximo jogo e à sociedade futebolística europeia a responsabilidade de transformar um lance controverso em oportunidade de aperfeiçoamento institucional.

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