Monfils anuncia fim da carreira: nome na lista de retirados da ITIA oficializa despedida após US Open

Gael Monfils tem a carreira oficializada como encerrada após inclusão na lista de retirados da ITIA; último jogo foi nos US Open 2026.

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Monfils anuncia fim da carreira: nome na lista de retirados da ITIA oficializa despedida após US Open

Por Otávio Marchesini, Espresso Italia

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A carreira de Gael Monfils parece ter chegado ao fim de forma discreta, mas definitiva. Desde 5 de outubro de 2026 o nome do parisién aparece na lista de jogadores retirados da ITIA (International Tennis Integrity Agency), registro que, na prática, o torna inelegível para competições até que atenda a exigências antidoping fora de competição — um processo de no mínimo seis meses que impõe uma distância administrativa entre o tenista e o circuito.

Oficialmente, Monfils, 40 anos, havia alimentado a vontade de encerrar a carreira em casa, no Rolex Paris Masters (2 a 8 de novembro), cenário ideal para um adeus público numa das praças mais simbólicas do tênis francês. A inclusão na lista da ITIA, porém, antecipou esse desfecho: sem os trâmites necessários ele não pode mais inscrever-se em torneios, transformando intenções em um corte mais silencioso do que muitos imaginavam.

O último jogo oficial do parisién foi nos US Open 2026: vitória sobre Adolfo Daniel Vallejo na estreia e eliminação para o jovem Learner Tien por 6-3, 6-4, 6-3. Após a derrota, Monfils declarou querer jogar até o Masters 1000 de Paris e, em seguida, iniciar uma nova etapa profissional no setor financeiro. Se essa transição se confirmar, será a rota já trilhada por vários atletas que buscam aplicar disciplina e visibilidade do esporte em novas carreiras.

Do ponto de vista esportivo, a trajetória de Gael Monfils é marcada por uma combinação rara de espetáculo e longevidade. Com 13 títulos ATP e 35 finais disputadas, alcançou o melhor ranking da carreira — o 6º lugar — em novembro de 2016. Foi semifinalista do Roland Garros em 2008 e dos US Open em 2016, e manteve a notável sequência de ao menos uma final ATP por temporada durante 19 anos consecutivos, de 2005 a 2023. Seu último troféu, o ASB Classic de Auckland em 2025, ilustra a capacidade de permanecer competitivo além dos 38 anos.

Monfils não será lembrado apenas por estatísticas, mas sobretudo por um estilo que transformou partidas em eventos: deslizes dramáticos, defesas que pareciam milagres e um carisma que aproximou o público do jogo. Essa faceta de entertainer fez dele uma figura única na memória do circuito moderno, ainda que o título de Grand Slam tenha permanecido ausente.

Há uma ironia formal no desfecho: o último ponto de sua carreira será registrado em Nova York, contra Learner Tien — um final discreto, sem a coreografia e os fogos que tantas vezes marcaram seus retornos em quadra. Essa sobriedade oferece uma leitura coerente para quem acompanha o esporte como fenômeno cultural: o declínio público é, por vezes, menos ruidoso do que a carreira que o precedeu, e as formalidades administrativas (como a inclusão na lista da ITIA) transformam decisões pessoais em atos institucionais.

Monfils fecha, portanto, um capítulo que se estende por mais de duas décadas — começando no circuito em 2004 — deixando uma marca que ultrapassa resultados. Como analista, vejo sua trajetória como exemplo de como o tênis contemporâneo conjuga espetáculo, resistência física e presença simbólica: atletas que aos poucos se tornam parte do imaginário coletivo de suas cidades e nações. O adeus oficial pode ter sido silencioso; sua presença nas quadras, não.

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