Trump diz que Irã está acabando com os mísseis; Teerã rebate: temos armas avançadas não empregadas

Trump afirma desgaste dos mísseis iranianos; Teerã nega e diz deter armas avançadas não usadas. Análise estratégica de Marco Severini.

Trump diz que Irã está acabando com os mísseis; Teerã rebate: temos armas avançadas não empregadas

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Trump diz que Irã está acabando com os mísseis; Teerã rebate: temos armas avançadas não empregadas

Por Marco Severini — A evolução do conflito em curso revela, de forma cristalina, que a guerra é também uma disputa sobre a profundidade dos arsenais. Em declarações públicas repetidas, o presidente americano Donald Trump afirmou que os mísseis iranianos estariam a caminho do esgotamento, enquanto o Irã respondeu com uma ênfase estratégica: dispõe de meios ainda não empregados, inclusive sistemas de elevada sofisticação.

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"Temos uma quantidade enorme de munições", disse Trump, criticando reportagens que apontavam para um possível desgaste dos sistemas de defesa dos aliados do Golfo — em particular os interceptores Patriot — submetidos a um ritmo intenso de lançamentos. Segundo o presidente, Washington planejou uma operação de 4-5 semanas, apelidada de Fúria Épica, mas desde já estaria em condições de se manter por um prazo significativamente maior.

No terreno logístico, o general Dan Caine, chefe do Estado‑Maior Conjunto dos EUA, anunciou o envio adicional de pessoal e meios. Na fase inicial da operação, forças americanas atacaram mais de 1.700 alvos, empregando bombardeiros B-1 e B-52 e caças F-15. "Estamos destruindo tudo", sintetizou o presidente, descrevendo perdas iranianas que vão desde navios até lançadores e sistemas de defesa.

Do outro lado do tabuleiro, a resposta iraniana procura conservar margens de capacidade e dissuasão. O porta‑voz do Ministério da Defesa de Teerã, general Reza Talaei‑Nik, afirmou que o país "pode resistir e manter uma defesa ofensiva por mais tempo do que o inimigo espera" e ressaltou que Teerã não pretende empregar todas as suas armas e tecnologias mais avançadas nos primeiros dias do confronto.

As estimativas conservadoras apontavam que, no início do conflito, o Irã dispunha de cerca de 1.000 a 1.500 mísseis. Entre esses sistemas, destacam‑se os Soumar, com alcance aproximado de 3.000 km — suficiente para cobrir a distância entre Teerã e Dubai, de cerca de 2.300 km — e os Sejjil, com alcance estimado de 2.000 km. Além disso, um contingente muito maior de drones Shahed, de caráter "low cost", opera em raids de médio a longo alcance, com alcance operacional na ordem dos 1.700 km a partir do ponto de lançamento.

O Irã também empregou, segundo relatos, o míssil hipersônico Fattah, considerado uma peça de tecnologia avançada no seu inventário. Teerã insiste em preservar parte desses sistemas como um instrumento de dissuasão residual — um recurso estratégico que não se revela de uma só vez, guardando‑o como peça-chave para fases futuras do conflito.

Do ponto de vista geopolítico, este confronto entre Estados Unidos e Irã é um movimento no grande tabuleiro: cada lançamento, cada interceptação e cada reposição de estoques é um lance que redesenha, ainda que temporariamente, linhas de influência e alicerces da diplomacia regional. A tectônica de poder na região será tanto produto da capacidade material — bombas, mísseis, drones — quanto da gestão prudente desses recursos, preservando opções estratégicas a médio prazo.

Em suma, ao mesmo tempo em que Washington busca transmitir a imagem de reservas quase ilimitadas, Teerã responde com uma narrativa doble — capacidade real e escolha deliberada de não empregar todos os seus ativos — transformando a crise num jogo de resistência e de cálculo. No tabuleiro, ambos os lados calibram força e paciência; nos bastidores, as trajetórias logísticas e industriais determinarão, por fim, a duração e a intensidade da confrontação.

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