Incêndios florestais na Itália disparam 36% em 2026: mais de 130 mil hectares queimados, Sicília é a mais afetada

Incêndios florestais na Itália sobem 36% em 2026: 130.858 hectares queimados até 15/10; Sicília é a mais afetada. Prevenção e gestão em alerta.

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Incêndios florestais na Itália disparam 36% em 2026: mais de 130 mil hectares queimados, Sicília é a mais afetada

O novo relatório apresentado pelo Legambiente durante o IX Fórum Florestas revela um quadro preocupante: até 15 de outubro de 2026, mais de 130 mil hectares queimados e um salto significativo no número de incêndios em todo o país. São 2.223 focos mapeados desde o início do ano — um aumento de 20,5% em relação a 2025 — e um total de 130.858 hectares consumidos pelo fogo, um crescimento de 36%.

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Esses números não atingem apenas áreas comuns: 37.499 hectares das superfícies atingidas fazem parte da Rede Natura 2000, o equivalente a 28,66% da extensão total perdida. É uma perda que incide sobre paisagens de alto valor natural e sobre serviços ecossistêmicos essenciais, revelando como o fogo pode escurecer o futuro de corredores verdes que sustentam biodiversidade e comunidades.

Na lista das regiões mais afetadas, figura a Sicília no topo, com 71.178 hectares queimados e 836 incêndios registrados. Na sequência aparecem a Calábria, com 14.359 hectares e 570 focos, e a Puglia, com 13.649 hectares distribuídos em 157 incêndios. Também figuram entre as mais atingidas o Piemonte e a Sardenha. Um dado quase paradoxal: a única área italiana que não registrou incêndios até a data do levantamento é a província de Bolzano.

No total, 789 municípios foram impactados — um aumento de 19% em relação ao ano anterior — e, desse total, 494 têm menos de 5 mil habitantes, o que reafirma a vulnerabilidade das áreas internas e rurais. Essa exposição coloca em risco meios de vida locais, infraestrutura e paisagens culturais que resistiram ao tempo.

Entre as causas apontadas estão a seca, as ondas de calor e eventos meteorológicos extremos, que ampliam a inflamabilidade das massas florestais. Soma-se a isso a ameaça crescente das espécies invasoras: a cocciniglia tartaruga do pinho, praga de origem asiática, vem dizimando extensas pinhas e pinhais na vegetação mediterrânea, fragilizando ecossistemas já pressionados pelo clima e pelo fogo.

O diagnóstico do relatório também destaca lacunas na prevenção e na gestão. Em 2026, apenas 21% das superfícies florestais contavam com planejamento florestal, e a gestão direta cobriu apenas 11% das áreas — ambos com um avanço tímido de três pontos percentuais em relação a 2025. É um sinal de que precisamos iluminar caminhos mais eficazes para proteger as florestas: planejar, gerir e restaurar com urgência.

Finalmente, um paradoxo que pede reflexão estratégica: a Itália conta com cerca de 11 milhões de hectares de florestas — quase 37% do território —, e ainda assim importa cerca de 80% da madeira que consome. O aproveitamento sustentável dos recursos locais permanece entre os mais baixos da Europa, abrindo espaço para políticas que valorizem manejo responsável, economia circular e recuperação de paisagens.

Enquanto a fumaça se dissipa em alguns horizontes, torna-se imperativo semear inovação e cooperação: fortalecer a prevenção, ampliar o manejo sustentável e cuidar das comunidades rurais são ações que podem iluminar novos caminhos para um renascimento florestal. Espresso Italia acompanha e traz este retrato para que, juntos, possamos cultivar soluções que tragam um horizonte límpido para nossas florestas e para as próximas gerações.

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