Fim de vida: Follini critica Parlamento e pede que política enfrente a realidade

Follini critica a inércia do Parlamento e pede que a política enfrente o debate sobre fim de vida, enquanto regiões avançam em leis.

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Fim de vida: Follini critica Parlamento e pede que política enfrente a realidade

Por Giuseppe Borgo — A morte de Emma Bonino reabriu um debate que vem crescendo há anos na agenda pública italiana: o da fim de vida. Como observou Marco Follini em seu intervento para Espresso Italia, o dia seguinte a episódios políticos ou humanos costuma vir carregado de memórias afetuosas e de reconhecimentos póstumos. Mas a história não deve ficar só nas homenagens: é preciso transformar lembrança em ação e traduzir luto em política útil.

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Follini lembra que muitas das bandeiras radicais — do divórcio ao aborto —, com o tempo, perderam o cheiro de novidade e passaram a integrar o nosso senso comum. A metáfora é clara: a construção de direitos acaba erguendo alicerces que a sociedade, pouco a pouco, reconhece como essenciais. Hoje, o tema que empurra essa discussão para além das bolhas partidárias é justamente o da fim de vida.

O autor denuncia a cobertura veemente de certa imprensa — citando a capa ofensiva de Belpietro após a partida de Bonino — e aponta que a questão já não é palavra de ordem apenas de um grupo político. É um assunto que entrou com força na agenda pública e regional. Como em uma obra onde algumas fundações já foram lançadas, as regiões começam a mover-se: exemplos recentes, como a lei aprovada no Vêneto, mostram que, mesmo em territórios de forte tradição católica, há espaço para respostas legislativas que protejam a dignidade individual.

Follini cita nomes que simbolizam essa nova fase, como o jovem deputado regional Jacopo Maltauro, e sublinha o paradoxo: enquanto as administrações locais avançam, o Parlamento nacional permanece quase inerte. A inação central — afirma ele — faz mais ruído do que a inovação regional: o que hoje escandaliza é o vazio deliberativo das câmaras que deveriam debater e decidir. Há, segundo Follini, um medo generalizado dos parlamentares de serem taxados de heterodoxos, quando, ironicamente, até setores da hierarquia eclesiástica parecem mais receptivos a um diálogo aberto do que a própria política.

Para quem acompanha a vida pública com olhar de cidadão e repórter, o momento exige coragem. Há um ponto em que a política precisa optar, pesar responsabilidades e, às vezes, assumir riscos. Não se trata apenas de conciliar direitos individuais e deveres religiosos; trata-se de reconhecer que a missão do legislador é erguer pontes entre normas e vidas reais — e não manter barreiras burocráticas que deixam os cidadãos à margem no momento mais delicado.

Em termos práticos, isso implica que o debate sobre fim de vida não seja empurrado para prazos indefinidos ou tratado como tabuleiro de jogo político. Requer legislação clara, proteção para profissionais de saúde e salvaguardas para a consciência dos crentes. Requer, sobretudo, que o Parlamento cesse de permanecer imóvel e que reconheça que os alicerces que as regiões começaram a assentar merecem ser examinados, debatidos e, quando for o caso, adotados em escala nacional.

Concluo com uma ideia simples e construtiva: a política que nos protege não é a que evita o conflito a qualquer custo, mas a que assume o peso da caneta e desenha, com responsabilidade, as normas que garantem dignidade. Se as regiões começam a erguer soluções, cabe ao Parlamento pegar a régua e o nível, medir a realidade e construir — de uma vez por todas — respostas que façam jus aos direitos civis que tanto esforço custaram para ser conquistados.

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