Itália reabre capítulo do nuclear: Senado aprova lei que volta a regular usinas — Meloni cumpre promessa

Senado aprova lei que reabre caminho para energia nuclear na Itália; Meloni celebra cumprimento de promessa. Governo terá 12 meses para normas.

Itália reabre capítulo do nuclear: Senado aprova lei que volta a regular usinas — Meloni cumpre promessa

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Itália reabre capítulo do nuclear: Senado aprova lei que volta a regular usinas — Meloni cumpre promessa

Por Giuseppe Borgo — Depois de quase quatro décadas de hiato legislativo, a Itália dá um passo decisivo para reabrir o debate e a prática sobre a energia nuclear. O Senado aprovou em caráter definitivo o projeto de lei de delegação sobre a energia nuclear sustentável, apresentado pelo ministro do Ambiente e da Segurança Energética, Gilberto Pichetto Fratin, e já aprovado pela Câmara em junho.

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A lei confere ao Governo a delegação, a ser exercida em até doze meses, para estabelecer a nova regulação que cobrirá todo o ciclo de vida da energia nuclear: desde a construção e operação de centrais até a sua desativação, passando por normas de segurança e a gestão dos resíduos radioativos. É uma legislação estruturante, com intenção de criar os alicerces jurídicos necessários para um eventual retorno do país ao uso civil do átomo.

Entre os pontos centrais do texto aprovado estão as normas para a instalação de novos complexos nucleares, a inclusão de tecnologias avançadas e de pequenos reatores modulares (SMRs), além do estímulo à pesquisa em fusão. O texto prevê também um reordenamento das competências sobre segurança nuclear e a definição de novos procedimentos autorizativos, buscando reduzir incertezas burocráticas e acelerar decisões sem prescindir de garantias.

Um capítulo sensível trata do combustível irradiado e dos resíduos: o texto determina regras para o seu manejo e armazenamento, com ênfase em garantias financeiras e seguradoras ao longo do ciclo de vida das instalações. Para a localização das plantas, a lei prevê o envolvimento dos territórios e dos municípios afetados, incluindo a possibilidade de medidas compensatórias — uma tentativa de construir pontes entre o poder central e as comunidades que receberão os empreendimentos.

O Governo justifica a opção como uma peça da estratégia de descarbonização, defesa da segurança do abastecimento e redução da dependência energética externa. No Parlamento, entretanto, a oposição levantou dúvidas concretas sobre custos, prazos, tecnologia, segurança e a gestão de resíduos, além do impacto da iniciativa sobre o desenvolvimento das fontes renováveis.

O ministro Pichetto Fratin indicou como horizonte orientativo o período 2034–2035 para os primeiros reatores entrarem em operação, sem transformar a data em compromisso rígido. Agora o próximo passo será a emissão dos decretos legislativos delegados — é por meio deles que a delegação aprovada se converterá em regras técnicas e administrativas concretas.

Nas redes, a primeira-ministra Giorgia Meloni celebrou a aprovação: "Promessa mantida", afirmou, adiantando que o Governo redigirá normas sobre segurança, autorizações, gestão de resíduos e relacionamento com os territórios. A declaração reflete o peso da caneta no desenho das prioridades nacionais, mas também abre espaço para debates práticos sobre quem arcará com os custos e como serão garantidos os direitos das populações locais.

Este momento marca uma transformação na arquitetura da política energética italiana: não se trata apenas de erguer infraestruturas, mas de construir os direitos, as responsabilidades e as garantias que acompanharão esse possível novo programa nuclear. A legislação aprovada cria a ponte normativa; resta agora acompanhar, com rigor acessível, a tradução dessa ponte em obras, normas e impactos socioambientais concretos.

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