Chamada de Stubb e Store a Putin expõe vazio de representação da UE sobre a guerra na Ucrânia, apontam fontes de Roma
Chamada de Stubb e Store a Putin revela vazio de representação da UE nas negociações sobre a guerra na Ucrânia, diz Palazzo Chigi.
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Chamada de Stubb e Store a Putin expõe vazio de representação da UE sobre a guerra na Ucrânia, apontam fontes de Roma
Por Giuseppe Borgo — A recente conversa telefônica entre Vladimir Putin e os líderes nórdicos Alexander Stubb e Jonas Gahr Store acendeu um alerta em Roma sobre o que fontes de Palazzo Chigi classificam como um claro vazio de representação da UE no processo de paz para a guerra na Ucrânia. O episódio revela não apenas divergências de conteúdo com a Rússia, mas também a fragilidade da arquitetura diplomática europeia.
Segundo relatos oficiais, o telefonema durou cerca de noventa minutos e foi promovido por iniciativa dos dois líderes nórdicos para debater os desdobramentos das conversas entre o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky e os enviados norte-americanos reunidos em Oslo. Em declarações aos meios de comunicação em Helsinque, o primeiro-ministro norueguês Jonas Gahr Store sublinhou que continuam a existir «grandes divergências de vedute» com o presidente russo.
Store e Stubb deixaram claro que falaram em nome de seus próprios países — Noruega e Finlândia — e não em nome da Europa como um todo, uma ressalva reiterada por fontes de Palazzo Chigi. A nota deixa explícito que, apesar da estima que a primeira-ministra Giorgia Meloni deposita em ambos os líderes, a iniciativa evidencia um problema prático: na ausência de uma voz europeia designada, Estados-membros sentem-se compelidos a agir isoladamente.
Fontes do governo italiano recordam que a Itália defende há tempo a indicação rápida, e de forma concertada, de uma ou mais personalidades com mandato claro para representar a Europa nas negociações de paz. "O negociato não espera", alertam, lembrando que a contínua fragmentação da representação comunitária reduz o peso do continente nas conversações e aumenta o risco de perda de influência.
Para Palazzo Chigi, a solução passa por nomear interlocutores com mandato explícito para falar em nome da UE, evitando que formatos e lideranças mudem a cada semana e que a União se apresente em ordem dispersa. "O governo italiano está pronto a continuar a fazer a sua parte para que essa escolha ocorra em tempo breve", afirmam as fontes.
Do ponto de vista prático, a iniciativa de Stubb e Store foi definida como «franca e substantiva» pelo próprio ex-chefe de Estado finlandês. Ainda assim, a conversa com Putin não alterou a percepção de distanciamento nas posições: as discrepâncias fundamentais sobre a guerra na Ucrânia permanecem.
Enquanto isso, a cena política europeia assiste a uma espécie de obra em construção: faltam alicerces institucionais que consolidem uma ponte única entre Bruxelas e interlocutores externos no processo de paz. Sem essa estrutura, o risco é ver aumentadas as fissuras diplomáticas e o peso da caneta da negociação europeia diluído em iniciativas nacionais desconexas.
Em suma, a chamada expõe um problema estrutural. A UE precisa definir, com urgência e de forma compartilhada, quem a representa nas conversas que podem decidir os contornos de segurança do continente. Caso contrário, cada Estado continuará a erguer sua própria parede em vez de construir uma ponte comum.

