Ceuta: 16 agressões sexuais desde o início da crise migratória; autoridades reforçam investigação

Ceuta registra 16 agressões sexuais desde a crise migratória; governo reforça investigação e busca alternativas de acolhimento às pressões nas estruturas locais.

Ceuta: 16 agressões sexuais desde o início da crise migratória; autoridades reforçam investigação

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Ceuta: 16 agressões sexuais desde o início da crise migratória; autoridades reforçam investigação

Por Marco Severini — A Procuradoria de Ceuta registrou 16 agressões sexuais com 17 vítimas desde o início da crise migratória desencadeada pelos fluxos massivos no final de julho, informou a procuradora-geral local, Teresa Peramato, durante visita à cidade autónoma no norte da África. Das 17 vítimas contabilizadas, 16 são mulheres e a maioria é formada por menores.

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A magistrada anunciou que a Procuradoria será reforçada com a chegada de procuradores oriundos do território europeu, para fazer face ao aumento do volume de trabalho provocado pela crise. Peramato salientou ainda um crescimento nos crimes contra o património e em atos de violência e resistência contra agentes públicos, embora não tenham sido disponibilizados números detalhados sobre essas ocorrências.

Conforme a procuradora, os migrantes que permanecem em Ceuta vivem numa "situação humanitária muito delicada". As autoridades centrais e regionais procuram alternativas para aliviar a pressão sobre as estruturas de acolhimento locais após as chegadas massivas do final de julho.

O ministro para a Política Territorial e Memória Democrática, Ángel Víctor Torres, advertiu que a implementação dos espaços alternativos propostos pela cidade autónoma para abrigar os migrantes poderá levar meses. Torres relatou à Comissão mista para a Segurança Nacional do Congresso que algumas instalações visitadas carecem de infraestrutura básica, como serviços sanitários, rede de esgoto ou abastecimento elétrico.

Entre as opções consideradas pelo governo estavam pavilhões desportivos, mas o presidente de Ceuta, Juan Jesús Vivas, recusou o seu uso. Torres enfatizou que a lista de espaços proposta por Madrid é "flexível e modificável" e que a inclusão de ginásios destinava-se apenas a situações extremas, sem previsão de mobilização imediata.

O ministro descreveu como "frutuosa" a primeira reunião do comité encarregado de gerir a crise e anunciou que os encontros passarão a ser semanais, após novo encontro previsto para sexta-feira. "Haverá erros e vamos cometer falhas, mas este é o caminho", declarou, sublinhando a necessidade de agir com celeridade e coordenação.

O governo instituiu um comando único até ao final do ano, com o objetivo — segundo Torres — de encurtar os prazos para estabilizar a situação em Ceuta. "Defendendo a legalidade internacional e a proteção dos direitos humanos, ajudaremos os habitantes da cidade para que a normalidade seja restabelecida o mais rápido possível", afirmou. O ministro também disse que o Executivo pretende acelerar as repatriações, respeitando a legislação e as salvaguardas para requerentes de asilo e menores.

Organizações não governamentais alertaram este mês, em declarações à Euronews, para as condições precárias enfrentadas pelos migrantes em Ceuta, enfatizando riscos para a proteção de menores e a necessidade de respostas humanitárias imediatas.

Do ponto de vista estratégico, a situação em Ceuta representa um movimento decisivo no tabuleiro migratório do Mediterrâneo: trata-se de um teste para os alicerces da diplomacia ibérica e europeia, onde a tectônica de poder entre segurança, direitos humanos e capacidade logística fica exposta. A gestão desta crise exigirá não apenas meios operacionais, mas uma arquitetura de decisões que concilie soberania, obrigações internacionais e a urgência humanitária — um problema que desenha fronteiras invisíveis de influência na região.

Em síntese, Ceuta enfrenta um duplo desafio: investigar e sancionar crimes graves, como as agressões sexuais, enquanto organiza soluções de acolhimento e retorno que respeitem a normativa internacional. A eficiência do comando único e a cooperação entre administrações serão as peças-chave para estabilizar o tabuleiro nos próximos meses.

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