Incêndios na Europa: mesmo no melhor cenário, área queimada pode crescer 39% até 2100, alertam pesquisadores
Estudo alerta: mesmo em cenário otimista, incêndios florestais podem aumentar 39% na Europa até 2100; gestão e políticas climáticas são decisivas.
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Incêndios na Europa: mesmo no melhor cenário, área queimada pode crescer 39% até 2100, alertam pesquisadores
Bruxelas – O verão de 2026 deixou uma marca explícita no mapa europeu: calor extremo e chamas em conjugação que já parecem um novo padrão. Um estudo recém-publicado por uma equipe internacional de 11 investigadores desenha um quadro inquietante: mesmo no cenário mais optimista de emissões, os incêndios florestais poderão afetar uma área 39% maior no território europeu até o final do século.
Os autores sublinham que há dois vetores críticos a governar esse desfecho no tabuleiro climático: as condições meteorológicas favoráveis à deflagração e propagação do fogo, e a capacidade de resposta e gestão de incêndios. Na ausência de intervenção, o agravamento das condições climáticas por si só conduziria a um aumento estimado de cerca de 39% da superfície anual queimada num cenário de baixas emissões; no cenário de altas emissões, o mesmo mecanismo poderia elevar essa área em quase 192%.
Contudo, os investigadores não deixam a peça inteira entregues ao fatalismo. O relatório aponta que o fortalecimento da capacidade de gestão dos incêndios tem um efeito de contenção substancial: melhorias contínuas nos serviços de prevenção e combate poderiam reduzir a área queimada entre 72% e 92% em comparação com cenários sem tais avanços. Em termos de estratégia, essa é uma jogada defensiva crucial — equivalente a reforçar torres e peões no flanco mais exposto do tabuleiro.
Há, porém, uma advertência estratégica firme: investimentos isolados na capacidade de resposta, sem uma política climática ambiciosa, podem revelar-se insuficientes e, por vezes, ilusionistas. O estudo indica que, em presença de um forte aquecimento global, cerca de 55% das regiões europeias sujeitas a incêndios continuarão a ver um aumento da atividade de fogo, mesmo mantendo os níveis atuais de investimentos em gestão.
Do ponto de vista da governança, a mensagem é dupla e complementar: é preciso agir simultaneamente na mitigação do aquecimento — reduzindo as emissões — e na adaptação, através da prevenção, educação pública, planejamento do uso do solo e modernização das respostas operacionais. A Comissão Europeia, segundo o texto, já trabalha em medidas de mitigação e resposta, mas o relatório funciona como um chamado à aceleração das políticas climáticas e ao reforço coordenado das capacidades nacionais e transfronteiriças.
Em linguagem de cartografia estratégica: as fronteiras do risco estão a ser redesenhadas pela tectônica de poder entre clima e capacidade institucional. Sem uma mudança de rota nos alicerces das políticas públicas, a tendência será de expansão dos incêndios, com custos ecológicos, sociais e económicos que se multiplicam.
Conclusão prática e diplomática: a União Europeia e os Estados-membros dispõem de instrumentos para limitar o impacto do pior cenário, mas a janela de oportunidade para convertê-los em resultados concretos é estreita. A ação coordenada — tanto na redução das emissões quanto no refinamento das respostas ao fogo — é a jogada decisiva para preservar territórios, comunidades e infraestruturas numa Europa cada vez mais quente.
Incêndio florestal em França [Bordeaux, 25 de julho de 2026. Foto: Marion Fourniès / FNSPF, via imagoeconomica]

