Morreu Harald V, Rei da Noruega, aos 89 anos; sucessor é o filho Haakon

Morreu Harald V, rei da Noruega, aos 89 anos. Sucessão passa para o filho Haakon; Casa Real confirma morte por complicações de anemia hemolítica.

Morreu Harald V, Rei da Noruega, aos 89 anos; sucessor é o filho Haakon

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Morreu Harald V, Rei da Noruega, aos 89 anos; sucessor é o filho Haakon

Por Marco Severini — Com autoridade diplomática e olhar de análise estratégica, registro aqui um movimento que altera, com a solenidade de um lance decisivo no tabuleiro internacional, um dos alicerces da monarquia constitucional europeia. Nesta manhã, a Casa Real da Noruega anunciou a morte de Harald V, que comandou o trono norueguês desde 1991 até os seus 89 anos.

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O monarca faleceu às 06h35 no Hospital Nacional de Oslo, onde estava internado desde 17 de agosto devido a uma anemia hemolítica. Nas últimas horas, o quadro complicou-se por uma infeção bacteriana na corrente sanguínea. O comunicado oficial declarou: “É com profundo pesar que anunciamos a partida de Sua Majestade o Rei Harald”, acrescentando que o soberano “morreu serenamente”. Já na véspera, a Casa Real havia descrito seu estado como “muito grave”. Familiares próximos estiveram reunidos junto ao leito, e cidadãos começaram a depositar flores diante do Palácio Real em Oslo.

Harald V nasceu em 21 de fevereiro de 1937 em Skaugum, a residência dos príncipes herdeiros em Asker, ao sul de Oslo. Foi o primeiro monarca norueguês nascido no país desde 1380, um fato simbólico que ressoa como traço de identidade nacional. Filho do rei Olav V e da princesa Märtha da Suécia, passou parte da infância no exílio durante a ocupação alemã, vivendo entre a Suécia e os Estados Unidos. Educou-se na Universidade de Oslo, na Academia Militar Norueguesa e no Balliol College, em Oxford.

Homem de serviço público, amante dos esportes e especialmente da vela, representou a Noruega em edições olímpicas — uma trajetória que moldou sua imagem de príncipe e rei próximo ao povo. Em 1968 desposou Sonja Haraldsen, após mais de uma década de noivado; do casamento nasceram dois filhos: Marta Luisa e o agora rei, Haakon.

Após 35 anos de reinado, a coroa passa ao filho Haakon, de 53 anos. Sua esposa, Mette-Marit, assume o título de rainha consorte. O novo rei deve formalizar a morte do pai em sessão extraordinária do governo. Protocolarmente, as bandeiras do Palácio Real foram hasteadas a meio mastro e os sinos das igrejas tocarão ao meio-dia. O primeiro-ministro Jonas Gahr Støre afirmou que “uma nação inteira está de luto”, e o presidente do Parlamento, Masud Gharahkhani, recordou um monarca “amado e inclusivo”, cuja ação política e simbólica foi de união nacional.

Esta sucessão ocorre em momento delicado para a família real. A futura rainha tem sido alvo de controvérsias por sua ligação intermediada a figuras internacionais problemáticas, e notícias judiciais referentes a um filho de sua união anterior têm pressionado o apoio público à instituição. São fissuras que testam os alicerces da monarquia, exigindo do novo reinado capacidade de consolidação e prudência diplomática.

Harald V, mesmo com problemas de saúde nas últimas décadas, recusou abdicar, reafirmando um juramento vitalício perante o Parlamento. Ficará lembrado como um soberano moderno, que buscou manter a coesão social do país nos momentos mais difíceis — uma liderança que, no idioma da geopolítica, operou como uma ponte de estabilidade entre as placas tectônicas do poder escandinavo.

No desenho das próximas jogadas, o reinado de Haakon abre um novo capítulo: um redesenho de fronteiras invisíveis do prestígio real, que exigirá jogos de paciência, legitimidade pública e estratégia institucional para reafirmar a posição norueguesa no concerto europeu.

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