Queda de 35% nos furto com arrombamento na UE: onde as casas continuam mais expostas
Queda de 35% nos furtos com arrombamento na UE até 2024; veja onde residências estão mais expostas e como a tecnologia de segurança mudou o jogo.
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Queda de 35% nos furto com arrombamento na UE: onde as casas continuam mais expostas
Por Marco Severini — A última fotografia estatística sobre criminalidade patrimonial na Europa revela um movimento tectônico no tabuleiro da segurança doméstica: os furto com arrombamento na UE recuaram 35% entre 2014 e 2024, passando para cerca de 1,2 milhão de casos em 2024, segundo dados do Eurostat. Tratam-se de números que atestam um avanço relevante na prevenção, mas que não apagam as assimetrias regionais que ainda definem o cenário.
Na ponta oposta do continente, a Áustria registra a taxa mais elevada: 700 casos a cada 100.000 habitantes em 2024, seguida pela Suécia (601) e pelo LUXEMBURGO (568). São zonas do tabuleiro em que os alicerces da prevenção continuam frágeis, exigindo respostas combinadas de políticas públicas, vigilância privada e arquitetura urbana pensada para reduzir oportunidades criminais.
Por outro lado, países bálticos e do Leste exibem rendimento estatístico muito inferior: a Lituânia reportou apenas 24 furtos por 100.000 habitantes, com Bulgária (46) e Eslováquia também situando-se abaixo da marca de 100. A Lituânia, ademais, protagonizou a queda mais acentuada desde 2014, com uma redução de 79%; a Bulgária segue com -78% e a Grécia com -71% (a queda grega é calculada a partir do pico de 2015).
Há contrastes mais problemáticos na Europa do Sul e no núcleo ocidental. A Espanha exibe o recuo mais modesto: apenas 21% desde 2014, segundo cálculos da Europe in Motion. A França diminuiu 23% e permanece como o país mais afetado em termos absolutos — com mais de 300.000 casos anuais — seguida pela Alemanha. A Espanha aparece em terceiro lugar, com aproximadamente 143.000 furtos por ano.
Uma leitura estratégica desse quadro aponta para duas forças convergentes. Primeiro, a melhora na prevenção situacional — refletida no crescimento da oferta e do uso de tecnologias de segurança. A produção de sistemas de alarme na UE saltou de 30,1 milhões de unidades em 2015 para 68,3 milhões em 2025 (EU Trade Explorer). Em segundo lugar, há variações na capacidade institucional e na tipologia dos crimes entre Estados, além de diferenças na subnotificação e nas prioridades policiais.
O caso irlandês ilustra a dinâmica de adaptação social: segundo o Central Statistics Office da Irlanda, o uso de tecnologias domésticas de segurança (alarmess, circuitos fechados, videoporteiros e esquadrias reforçadas) passou de 17% em 2022 para 30% em 2024. Mais amplamente, UE, Reino Unido, Suíça e Noruega somam cerca de 20 milhões de sistemas instalados para residências e pequenos negócios, com uma penetração de 8% (Berg Insight). Este índice é significativamente inferior ao do mercado norte-americano, onde a penetração alcança cerca de 24%.
Do ponto de vista geopolítico e estratégico, essas estatísticas representam mais do que números: sinalizam um redesenho de fronteiras invisíveis da segurança privada e pública. Países com maiores reduções parecem ter movido peças no tabuleiro — integração de tecnologia, políticas locais de prevenção e mudanças socioeconômicas — enquanto outros permanecem expostos. A leitura prudente exige vigilância contínua: a queda geral pode encobrir focos de risco e deslocamentos criminais.
Concluo com uma recomendação prática e diplomática: a estabilidade apontada pelos dados só será duradoura se combinada à cooperação transnacional em inteligência sobre crimes patrimoniais, padrões de oferta de segurança privada e investimentos em urbanismo defensivo. Em termos de estratégia, é um convite para alinhar políticas públicas aos movimentos da sociedade civil e do mercado — um xeque posicional, visando transformar a vantagem tática em segurança estrutural.

