Rússia envia avião de 42.000 litros para combater incêndio que devora reserva na Sérvia

Avião russo Ilyushin de 42.000 litros atua contra incêndio na reserva Deliblatska Peščara; calor extremo e mudanças climáticas agravam a crise.

Rússia envia avião de 42.000 litros para combater incêndio que devora reserva na Sérvia

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Rússia envia avião de 42.000 litros para combater incêndio que devora reserva na Sérvia

Por Marco Severini — Em um movimento que revela mais do que assistência técnica, a resposta russa ao incêndio que assola uma vasta reserva natural na Sérvia assume contornos estratégicos. Desde o início de agosto, as chamas consomem extensas áreas da reserva de Deliblatska Peščara, situada a cerca de 60 km a leste de Belgrado, forçando evacuações locais e testando os limites da capacidade de resposta civil.

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Com as temperaturas chegando a 39ºC em algumas regiões do país, ventos fortes impulsionaram o fogo em direção a núcleos habitados. Um pequeno povoado à margem da reserva foi evacuado, segundo reportou a emissora pública RTS, à medida que as labaredas avançavam sobre áreas de vegetação seca. O ministro do Interior, Ivica Dačić, descreveu a situação como "difícil", embora tenha informado que, até o momento, não há registo de vítimas ou danos pessoais confirmados.

Atendendo ao pedido de assistência de Belgrado, um avião anfíbio russo Ilyushin desembarcou na cena na noite de quarta-feira. A aeronave, com capacidade para 42.000 litros, foi avistada durante operações de lançamento de água sobre pontos críticos do incêndio na tarde de quinta-feira. Testemunhas e jornalistas registraram as passagens sucessivas, mas as autoridades advertem que o fogo continua perigoso, mesmo após diversos lançamentos.

Dačić destacou que muitos subestimam a gravidade das condições, citando a combinação de areia, calor extremo e temperaturas elevadas que alimentam a propagação. Alarmes por condições extremas foram emitidos em grande parte dos Balcanos, onde ondas de calor retornaram e multiplicaram focos de incêndio nos últimos dias.

Este episódio insere-se em um quadro mais amplo: a Europa enfrenta nesta estação uma série de incêndios florestais alimentados por temperaturas anômalas e secas severas. Especialistas climáticos alinham essas tendências às mudanças no sistema climático global, atribuindo a maior frequência e intensidade das ondas de calor à mudança climática de origem antropogênica.

Do ponto de vista geopolítico, a chegada do aparelho russo é uma jogada com múltiplas camadas: fornece alívio operacional imediato ao combate ao fogo e, simultaneamente, projeta uma imagem de capacidade logística e proximidade. É um movimento que desenha uma sutileza no tabuleiro: ajuda humanitária que também reforça linhas de influência e mostra prontidão de atuação transnacional em crises regionais.

Na cartografia do risco, a Deliblatska Peščara representa hoje um ponto sensível — um território onde a tensão entre ecossistemas frágeis e eventos climáticos extremos cria um cenário de vulnerabilidade. As próximas 48 horas serão críticas para determinar se os alicerces da resposta local resistirão à intensidade do fogo ou se será necessário ampliar a cooperação internacional.

Enquanto isso, a comunidade científica repete o aviso: sem mitigação das emissões e medidas estruturais de adaptação, a tectônica de poder climático continuará a redesenhar fronteiras invisíveis entre segurança, ecologia e ordem pública.

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