UE fecha acordo comercial com Filipinas para reduzir dependência da China e dos EUA — movimento estratégico no Indo-Pacífico

UE assina acordo com Filipinas para diversificar comércio no Indo-Pacífico e reduzir dependência da China e dos EUA.

UE fecha acordo comercial com Filipinas para reduzir dependência da China e dos EUA — movimento estratégico no Indo-Pacífico

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UE fecha acordo comercial com Filipinas para reduzir dependência da China e dos EUA — movimento estratégico no Indo-Pacífico

Por Marco Severini — A UE anunciou nesta terça-feira a conclusão de um acordo comercial com as Filipinas, em mais um gesto calculado da sua estratégia de diversificação no amplo tabuleiro do Indo-Pacífico. O pacto reforça os alicerces econômicos que Bruxelas vem redesenhando para mitigar vulnerabilidades frente à pressão geoeconômica de potências concorrentes.

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O acordo surge num contexto em que as medidas comerciais recentes adotadas pelos Estados Unidos — com novas tarifas generalizadas aplicadas a vários parceiros — provocaram respostas recíprocas e elevaram a tensão no comércio global. Em reação, a UE acelerou vínculos econômicos com atores regionais: já concluiu pactos relevantes com Índia, Austrália e Indonésia, e agora incorpora as Filipinas a esse mosaico de interlocuções.

Segundo o comissário europeu ao Comércio, Maroš Šefčovič, "este acordo envia um sinal claro: a UE está a reforçar o seu compromisso no Indo-Pacífico". Na leitura de Briuxelas, os acordos de livre comércio europeus já cobrem metade dos consumidores globais, um diferencial que a União pretende transformar em vantagem estratégica.

Na prática, o texto prevê acesso ao mercado filipino de cerca de 113 milhões de pessoas e a eliminação de mais de 94% dos direitos aduaneiros. Abrange mais de 97% do comércio bilateral, protegendo fluxos de exportação europeus de bens de alto valor agregado — máquinas, medicamentos e dispositivos médicos — e também produtos agrícolas como carne bovina, suína, aves e bebidas alcoólicas. Do lado filipino, as exportações concentram-se em semicondutores, circuitos integrados e maquinaria industrial.

Além da liberalização tarifária, o acordo deve facilitar investimentos europeus em matérias‑primas nas Filipinas, um passo deliberado de Bruxelas para reduzir a dependência da China, que mantém posições quase monopolistas em insumos cruciais. Foi lembrado que, em 2025, a China usou produtos críticos — como chips e terras raras — como instrumentos de pressão sobre a indústria europeia, gerando risco a cadeias inteiras, inclusive ao setor automotivo.

Os números sublinham a relevância do novo vínculo: em 2025 o comércio bilateral de bens entre UE e Filipinas alcançou 17,6 bilhões de euros, enquanto o comércio de serviços atingiu 10,3 bilhões em 2024. O estoque de investimento direto europeu nas Filipinas era de 15,4 bilhões de euros.

Há também uma dimensão estratégica mais ampla: Šefčovič apontou um "interesse recíproco" em enfrentar a atual turbulência global e a pressão sobre as cadeias de abastecimento. No cronograma de Bruxelas, acordos com Tailândia e Malásia figuram como próximos passos, com um entendimento com Bangkok esperado até o fim do ano.

Do ponto de vista da geopolítica, este é um movimento que busca criar amortecedores e corredores de abastecimento alternativos — um redesenho de fronteiras invisíveis no xadrez comercial mundial. A longo prazo, reafirma-se que a estabilidade econômica e a autonomia estratégica dependem de alianças plurais e de um compromisso contínuo com a resiliência das cadeias produtivas. Em termos de jogadas futuras, cabe observar a resposta de Pequim e a forma como Washington recalibra seus instrumentos: cada nova norma ou tarifa será, na prática, um lance em um tabuleiro em que os alicerces da diplomacia econômica estão em transformação.

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