Zelensky na ONU pede manter pressão econômica sobre a Rússia que recruta combatentes em 47 países

Zelensky na ONU pede manter pressão econômica sobre a Rússia, alerta recrutamento em 47 países e destaca uso de 63 mil drones este ano.

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Zelensky na ONU pede manter pressão econômica sobre a Rússia que recruta combatentes em 47 países

Volodymyr Zelensky voltou ao palco da Assembleia Geral das Nações Unidas com um apelo firme: não reduzir a pressão econômica sobre a Rússia. Em discurso calibrado, o presidente ucraniano argumentou que as receitas de Moscou devem permanecer um alvo estratégico, porque o comércio ainda ativo com a Rússia contribui para a prolongação do conflito.

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Zelensky denunciou que o exército russo está recrutando combatentes oriundos de 47 países, citando contingentes provenientes de nações como Gana, Nepal e Índia. Para o presidente ucraniano, trata-se de uma expansão deliberada do recrutamento que serve aos objetivos de conquista territorial de Vladimir Putin, e não à defesa do próprio território russo.

Em uma metáfora que recorre à cartografia das influências, afirmei que Putin procura sempre "alguém que o ajude a matar mais pessoas por cada quilômetro de terra" — uma construção lexical que descreve com crueza a lógica expansionista que, segundo Zelensky, continua a orientar as ações do Kremlin.

O chefe de Estado ucraniano apontou também a crescente cooperação militar entre a Rússia e a Coreia do Norte, recordando que dois soldados norte-coreanos capturados enquanto combatiam na Ucrânia foram recentemente transferidos para a Coreia do Sul. Este dado sublinha um redesenho de fronteiras invisíveis na arquitetura dos atores envolvidos no conflito.

Do outro lado do tabuleiro, a diplomacia de Moscou mantém posição cautelosa sobre negociações. O ministro das Relações Exteriores russo, Sergey Lavrov, disse ao Conselho de Segurança que um cessar-fogo sem um acordo mais amplo seria contraproducente, por dar tempo à Ucrânia e seus aliados para rearmarem-se.

Zelensky questionou a real disposição russa de encerrar as hostilidades e advertiu a população ucraniana para um outro inverno difícil. Numa lógica de reciprocidade estratégica, deixou claro que, se as infraestruturas de aquecimento e energia ucranianas forem alvo de ataques, a resposta poderá visivelmente tornar o inverno "doloroso" também para a Rússia.

No campo tecnológico, o presidente reivindicou números impressionantes: segundo sua declaração, a Rússia teria utilizado cerca de 63 mil drones de ataque de diferentes tipos contra a Ucrânia apenas neste ano. Em contrapartida, destacou o papel crescente de Kiev na indústria de drones — citou um acordo relevante com a Finlândia, um acordo de segurança envolvendo drones com a Austrália e negociações em preparação com o Canadá.

O conflito segue caracterizado por ataques de larga escala com drones e mísseis de ambos os lados. Na mesma manhã, raids russos atingiram Kiev e Zaporizhzhia, enquanto Moscou afirmou ter interceptado mais de 500 drones ucranianos. Antes do seu discurso, Zelensky publicou na plataforma X um balanço parcial dos ataques russos contra a capital: duas pessoas relatadas mortas e outras 24 feridas, além de impactos em comunidades de oito regiões.

Como analista de relações internacionais, observo que estamos diante de uma tectônica de poder na qual as sanções e a restrição de receitas aparecem como movimentos decisivos no tabuleiro. A estabilidade futura dependerá da capacidade dos aliados de manter os alicerces econômicos que limitam a projecção institucional de Moscou — e de se anteciparem aos próximos movimentos estratégicos sobre o mapa europeu.

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