Amiloidose cardíaca: Medicina personalizada exige mudança cultural, diz FIPC
Meneghin (FIPC) afirma que a medicina personalizada exige mudança cultural; teste genético é ferramenta, não sentença. Foco na amiloidose cardíaca.
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Amiloidose cardíaca: Medicina personalizada exige mudança cultural, diz FIPC
Por Giulliano Martini — Em Roma, durante o evento "L’età non è una diagnosi. Medicina personalizzata, tra test genetici e appropriatezza prescrittiva: il caso dell’amiloidosi cardiaca", promovido por Omar, o Observatório de Doenças Raras, Cristina Meneghin, diretora de comunicação científica da Fondazione italiana per il cuore (FIPC), afirmou que a medicina personalizada e a inovação biotecnológica só se tornam transformadoras quando acompanhadas de um cambio cultural.
Na sua exposição, Meneghin ressaltou que avanços como a farmacogenética e os testes genéticos representam inovação científica inegável, mas perdem eficácia prática se não houver uma mudança de atitude nos profissionais, nas instituições e na população. "A inovação científica e biotecnológica, da farmacogenética à medicina personalizada, pode transformar a vida das pessoas apenas se acompanhada por um cambio culturale", disse a diretora do FIPC.
O diagnóstico e o manejo da amiloidose cardíaca foram apresentados como caso paradigmático: uma doença que demanda não apenas tecnologias diagnósticas e terapêuticas, mas processos decisórios personalizados e informados. Meneghin alertou para a necessidade de superar o que chamou de "razzismo sanitario", expressão que descreve práticas ou preconceitos institucionais que dificultam o acesso equitativo a cuidados personalizados.
Outro ponto central do discurso foi a vulnerabilidade da população idosa. Segundo Meneghin, persiste uma tendência reativa nos cuidados, que coloca pacientes idosos sob polifarmácia e risco de tratamentos inadequados. A proposta defendida é um modelo mais proativo e preditivo, com atenção à individualidade do paciente e à redução de prescrições desnecessárias ou potencialmente prejudiciais.
O papel das instituições recebeu ênfase adicional. Meneghin responsabilizou legisladores e gestores por uma lacuna entre o progresso científico e a capacidade do sistema de o incorporar. "A primeira forma de mudança deve ser promovida, decididamente, por nossos legisladores e instituições, que são, de fato, pouco educadas", declarou, apontando para a necessidade de políticas públicas que permitam a integração prática da medicina personalizada.
Por fim, a diretora do FIPC frisou a importância da educação em saúde para os cidadãos. Não se trata apenas de distribuir informação, mas de alterar comportamentos e aumentar a compreensão do que representam resultados genéticos. "Explicar a um paciente que o teste genético não é uma sentença, não é um rótulo, mas é uma ferramenta de conhecimento, de aconselhamento para o indivíduo e a família", concluiu Meneghin.
Do ponto de vista jornalístico, este é um sinal claro de que a revolução biomédica requer simultaneamente um trabalho de apuração in loco, cruzamento de fontes e políticas públicas alinhadas para transformar inovação em benefício real e mensurável para pacientes com amiloidose cardíaca e outras condições complexas.

