Pediatra Marchese alerta: Bpco adulta pode ter raízes já na infância
Pediatra Marchese alerta que cerca de 10% das crianças com problemas respiratórios podem evoluir para Bpco na vida adulta.
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Pediatra Marchese alerta: Bpco adulta pode ter raízes já na infância
Por Giulliano Martini — Em apuração direta e cruzamento de fontes realizados durante o encontro no Senado, o pediatra Giuseppe Marchese, da ASST Valcamonica (Brescia), afirmou que a Bpco observada em adultos e idosos pode ter origem na infância. A declaração foi feita no congreso "Articolo 32: il diritto di respirare. Le sfide delle malattie respiratorie tra clinica e politiche sanitarie", promovido pelo senador Marco Scurria (FdI), em evento realizado a poucos dias do Dia Mundial do Pulmão, em 25 de setembro.
Marchese destacou que existe um contingente significativo de crianças com problemas respiratórios que persistem apesar das terapias: "Há cerca de 10% das crianças que sofrem de doenças respiratórias destinadas a se prolongarem no tempo. Em outras palavras, de cada 100 crianças acompanhadas, aproximadamente 10 continuam a apresentar sintomas, mesmo com tratamentos adequados". Esse grupo inclui casos de asma de início muito precoce, alguns em formas graves, que mantêm sequelas e sintomas ao longo dos anos.
A partir da observação clínica pediátrica, o médico sublinhou a necessidade de um enfoque terapêutico mais refinado e de políticas de saúde que considerem a trajetória longa das doenças respiratórias. "A nossa missão enquanto pediatras é responder cada vez melhor às necessidades terapêuticas dessas crianças", disse Marchese, reforçando que o acompanhamento contínuo e a integração entre atenção pediátrica e saúde pública são cruciais para reduzir a progressão para a Bpco na vida adulta.
O evento no Senado reuniu especialistas, representantes institucionais e legisladores para debater as interfaces entre prática clínica e políticas públicas no combate às enfermidades respiratórias. A iniciativa — realizada em proximidade temporal com o Dia Mundial do Pulmão — visou chamar atenção para a prevenção precoce, a vigilância longitudinal e a adoção de medidas que possam interromper trajetórias clínicas que hoje levam milhares à incapacidade respiratória em idades avançadas.
Do ponto de vista técnico, a mensagem central é dupla: primeiro, reconhecer que uma parcela não desprezível de distúrbios respiratórios pediátricos não se resolve por completo; segundo, estruturar caminhos diagnósticos e terapêuticos que acompanhem essas crianças ao longo do tempo, com protocolos capazes de reduzir risco de dano pulmonar irreversível. Segundo Marchese, isso implica também maior articulação entre serviços pediátricos, pneumologia adulta e políticas de prevenção ambiental e vacinal.
Em linguagem limpa e baseada em fatos brutos coletados e confrontados, a realidade traduzida por Marchese é clara: prevenir hoje é evitar carga crônica respiratória amanhã. O aviso ecoa no calendário de saúde pública, justamente na véspera do Dia Mundial do Pulmão, quando campanhas globais reforçam a importância de diagnóstico precoce, controle ambiental e acesso a terapias eficazes.
A reportagem seguirá acompanhando as recomendações técnicas apresentadas no seminário e o eventual encaminhamento legislativo das propostas debatidas, com apuração in loco e cruzamento de documentos para manter a precisão informativa.

