Gabrielli: criar um fio antropológico entre famílias e nativos digitais para reduzir riscos online
Gabrielli pede construir um fio antropológico entre famílias e nativos digitais para reforçar competências e segurança online da juventude.
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Gabrielli: criar um fio antropológico entre famílias e nativos digitais para reduzir riscos online
Por Giulliano Martini — Em pronunciamento durante os Stati generali dell’educazione e della prevenzione, realizados na Câmara dos Deputados por iniciativa do deputado Enzo Amich, Ivano Gabrielli, diretor do Servizio Polizia Postale e per la Sicurezza Cibernetica, enfatizou a urgência de construir um fio antropológico entre as famílias e as novas gerações para enfrentar os desafios digitais.
“Os jovens aprendem com enorme velocidade o uso dos dispositivos, mas lhes falta um background evolutivo que facilite o reconhecimento de perigos e armadilhas”, disse Gabrielli. A observação foi inserida no contexto da apresentação do documentário 'Oltre la medaglia', produzido pelo Osservatorio Nazionale sul Bullismo e sul Disagio giovanile, que reúne vozes de atletas campeões para dialogar com adolescentes sobre comportamento e segurança.
Gabrielli destacou que os chamados nativos digitais crescem com um aparelho na mão e desenvolvem competências técnicas de forma quase instintiva, porém sem a base evolutiva que as gerações anteriores obtiveram ao longo de processos sociais e culturais distintos. “Esse patrimônio cognitivo e experiencial não pode ser simplesmente transmitido por quem não viveu as mesmas transformações”, afirmou, sublinhando a necessidade de aproximar gerações por meio da aquisição de competências específicas.
Na análise do diretor da Polícia Postal, a solução exige tanto ações educacionais quanto decisões políticas coordenadas. “São necessárias regras claras e escolhas políticas partilhadas, inclusive em nível europeu”, comentou. Gabrielli assinalou que a União Europeia se apresenta como o fórum adequado para estabelecer um terreno comum que possibilite a formação de uma geração com nova relação com a vida, o domínio cibernético, os estudos, o trabalho e as capacidades de convívio social — dimensões que, inevitavelmente, passarão pelo uso de ferramentas digitais.
Do ponto de vista prático, Gabrielli propõe fortalecer a proximidade entre pais e filhos por meio de ferramentas digitais que permitam maior consciência sobre o uso das tecnologias por parte dos jovens, sem confundir vigilância com educação. A proposta é equilibrar proteção e autonomia, promovendo competências digitais que favoreçam discernimento e resiliência diante de riscos online.
O debate promovido na Câmara recupera um eixo recorrente nas políticas públicas contemporâneas: como traduzir em normas e práticas educativas a transformação acelerada do universo digital. Em sua fala, Gabrielli reforçou que a Polizia Postale desempenha papel técnico e pedagógico, orientando ações que cruzem prevenção, formação e regulação, com interlocução em níveis nacional e europeu.
Em síntese: acelerar o aprendizado tecnológico dos jovens não basta se não houver um fio antropológico que conecte experiências, conhecimento e regras compartilhadas entre as gerações — uma estratégia que exige trabalho conjunto das famílias, das instituições educativas e das autoridades políticas, dentro e fora das fronteiras nacionais.

