Os Doze: romance de Marcello Giannotti e Tiziana Lupi traz os apóstolos antes da fé

Em 'Os Doze', Giannotti e Lupi reconstroem os apóstolos antes da fé, revelando humanidades, dúvidas e escolhas em 230 páginas com prefácio de Zuppi.

Os Doze: romance de Marcello Giannotti e Tiziana Lupi traz os apóstolos antes da fé

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Os Doze: romance de Marcello Giannotti e Tiziana Lupi traz os apóstolos antes da fé

Chega às livrarias em 4 de novembro, pela Edizioni Minerva, Os Doze. Os jovens que se tornaram os apóstolos de Jesus, o novo romance assinado por Marcello Giannotti e Tiziana Lupi, com prefácio do cardeal Matteo Maria Zuppi. Em 230 páginas, a obra propõe uma reencenação íntima e contemporânea da vida daqueles que a tradição chama de apóstolos, mas que antes de tudo foram jovens com medos, rotinas e dúvidas.

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Partindo de perguntas simples e essenciais — quem eram esses homens antes do encontro com Jesus? Quais sonhos e angústias os moviam? O que os levou a abandonar certezas materiais e pessoais para seguir um nazareno sem promessas de poder? — o livro reconstrói um universo cotidiano: pescadores, um coletor de impostos, um ativista, vidas sedimentadas pelo trabalho e pela incerteza do futuro na Galileia.

No romance, os doze não chegam como figuras já canonizadas ou entregues à santidade. São apresentados como jovens em conflito, movidos por entusiasmos e incompreensões, diante de escolhas que transformariam não só suas trajetórias, mas a história cultural que viria a seguir. A narrativa é guiada por um observador jovem, que acompanha os passos dos futuros apóstolos e cujos motivos e identidade só se esclarecem após a morte de Jesus.

É pela mirada desse narrador que emergem perfis variados: um Pietro impulsivo e por vezes cético; um André curioso e resoluto; e os demais, com personalidades distintas que se cruzam em um cenário de tensão social e expectativa messiânica. Não são qualidades extraordinárias que os unem, mas a confiança depositada em um homem que pede apenas para ser seguido.

Giannotti e Lupi trabalham na interseção entre fontes evangélicas e invenção ficcional, criando diálogos, pensamentos e cenas do cotidiano que aproximam os leitores — especialmente os mais jovens ou quem pouco conhece os textos sagrados — desses personagens humanos. Uma escolha editorial consciente é manter intactas as palavras atribuídas a Jesus, citando somente o que aparece nos Evangelhos, sem suplementações ou reinterpretações verbais. Esse cuidado é destacado na prefácio de Matteo Maria Zuppi, que descreve o volume como "prezioso, delicado, humano, intenso".

Como analista cultural, vejo em Os Doze mais do que uma reconstituição hagiográfica: é um espelho do nosso tempo. O romance refaz o roteiro oculto da sociedade ao focalizar o antes — a formação íntima do grupo que depois seria referência religiosa — e, assim, convida a refletir sobre confiança, liderança e a emergência de narrativas coletivas. A montagem ficcional funciona como um reframing histórico, onde a memória e a identidade são trabalhadas com a precisão de um diretor que escolhe planos e elipses para revelar um personagem.

Marcello Giannotti, jornalista com passagens pela direção de Comunicação da Rai e de Cinecittà, e autor de múltiplos livros sobre música, traz sua sensibilidade comunicativa ao projeto, enquanto Tiziana Lupi contribui para o equilíbrio entre pesquisa e invenção. Juntos, eles entregam um romance que, sem cair em simplificações, abre uma janela contemporânea sobre figuras centrais do imaginário religioso ocidental.

Em suma, Os Doze oferece ao leitor um olhar humano, próximo e cinematográfico — uma pequena cena que reescreve o antes e que, por isso mesmo, ajuda a iluminar o depois.

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