Relatório aponta: sem intervenção, custo anual do HIV na Itália supera €2 bilhões até 2030
Relatório indica gasto anual com HIV pode superar €2,03 bi até 2030; PrEP é apresentada como chave para sustentabilidade do SSN.
RESUMO ✦
Sem tempo? A Lili IA resume para você
Relatório aponta: sem intervenção, custo anual do HIV na Itália supera €2 bilhões até 2030
Roma – Um relatório técnico apresentado em Roma alerta que, se não houver intervenções adicionais, a despesa anual para gestão do HIV na Itália poderá ultrapassar os 2,03 bilhões de euros até 2030, com um crescimento médio anual estimado em 3,6%. O estudo, intitulado "Cambiare la traiettoria dell'Hiv in Italia: prevenzione, equità e innovazione per un Ssn sostenibile", foi organizado por Cencora e ViiV Healthcare e traz um raio‑x epidemiológico, clínico, econômico e organizativo do país.
O relatório destaca que aproximadamente 1,4 bilhão de euros desse encargo estaria associado a novas infecções potencialmente evitáveis. Nesse cenário, a PrEP (profilaxia pré‑exposição) é apresentada não apenas como ferramenta de prevenção, mas como uma alavanca de sustentabilidade do sistema de saúde, capaz de reduzir tanto novas infecções quanto custos futuros de tratamento e a pressão sobre o SSN.
Dados analisados pelo estudo indicam que, em 2024, foram registradas 2.379 novas diagnósticos de HIV na Itália. Em 40,3% dos casos, a infecção foi descoberta quando o sistema imunológico já estava severamente comprometido. Ademais, 83,6% das novas notificações de AIDS referiam‑se a pessoas que haviam identificado a positividade ao vírus nos seis meses anteriores, o que aponta para atrasos no diagnóstico e na entrada no cuidado.
O impacto da pandemia de Covid‑19 também foi avaliado: um estudo de 2021 citado no relatório sugere que o atraso no tratamento de pessoas com HIV pode ter provocado piora clínica e aumento da mortalidade relacionada. Por outro lado, uma retomada rápida e contínua das terapias poderia evitar até 687 óbitos ao final do décimo ano de análise, segundo as simulações que supuseram tratamento ininterrupto para diagnosticados e início imediato para novos casos diagnosticados em 2021.
Quanto ao controle viral e adesão, um estudo recente com pessoas vivendo com HIV na Itália mostrou que 93% dos participantes estavam virologicamente suprimidos, mas 42% relataram adesão subótima nos 12 meses anteriores. O perfil demográfico revela envelhecimento: mais de 50% têm mais de 50 anos, e cerca de 60% apresentam ao menos uma comorbidade não relacionada ao vírus, o que eleva a complexidade e o custo do manejo clínico.
Os custos médios estimados pelo relatório são expressivos: o custo direto médio de gestão por pessoa com HIV é de 9.762,92 euros por ano, enquanto o custo cumulativo ao longo da vida, em horizonte de 39 anos, alcança 222.674,77 euros por paciente. Esses números reforçam a mensagem central do estudo: prevenção ampliada, diagnóstico precoce e continuidade do cuidado são condições para reduzir carga clínica e econômica.
Em declaração resumida, o documento sublinha que as terapias disponíveis hoje permitem expectativa de vida e qualidade de vida comparáveis à população geral, desde que asseguradas a diagnose tempestiva e a presa in carico contínua dos pacientes. O relatório chama atenção para a necessidade de políticas públicas que priorizem a Prevenção, a equidade no acesso e a inovação nos modelos assistenciais para garantir a sustentabilidade do SSN.
Apuração em loco, cruzamento de fontes institucionais e análise de modelos de custo integraram a metodologia do estudo, cuja conclusão é clara: é possível alterar a trajetória do HIV na Itália, mas isso exige ações imediatas e coordenadas em prevenção, testagem, adesão ao tratamento e políticas de acesso à PrEP.

