Mattarella em Nápoles: 'Quem nasce no Sul deve poder escolher ficar' — Apelo contra o êxodo do Meridione
Mattarella em Nápoles reafirma: quem nasce no Sul deve poder escolher ficar; evento Sud Vivo debate spopolamento e apresenta Report Sud Vivo e estudo Demopolis.
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Mattarella em Nápoles: 'Quem nasce no Sul deve poder escolher ficar' — Apelo contra o êxodo do Meridione
O presidente da República italiana, Sergio Mattarella, participou nesta manhã do encontro "Sud Vivo" no Complesso Monumentale Donnaregina, em Nápoles, evento que marca o vigésimo aniversário da Fondazione con il Sud. A presença do Chefe de Estado concentrou atenções sobre uma questão estrutural: o êxodo e a regeneração demográfica do Meridione.
Em um breve pronunciamento — não previsto na programação oficial — Mattarella sublinhou que "quem nasce no Meridione possa escolher livremente de restarvi, possa tornarvi se ha fatto esperienza altrove e possa aggiungersi chi viene da fuori per arrivare qui". Traduzindo para a esfera pública: é essencial que o cidadão nascido no Sul possa optar por permanecer, regressar após experiências em outras regiões ou ser acolhido por quem decide aportar-se ao território. Para o presidente, essa liberdade de escolha é "uma chave de desenvolvimento para todo o país" e um interesse nacional da Itália.
Durante o encontro houve também um momento humano e simbólico: Mattarella posou para fotografias com crianças da Cooperativa Sociale La Paranza, gesto que reforçou o tom da iniciativa — conectar decisões de Estado à vida cotidiana das comunidades.
O encontro "Sud Vivo" foi dedicado ao combate ao spopolamento do Mezzogiorno e às perspectivas de rigeneração demográfica. A campanha participativa que sustenta o evento reúne cerca de 200 organizações, entidades e realidades culturais de toda a Itália, na tentativa de construir redes e soluções locais com impacto nacional. Em termos práticos, a iniciativa funciona como uma plataforma que busca derrubar barreiras burocráticas e articular políticas que incentivem a permanência, o regresso e a chegada de novos residentes — um trabalho de reconstrução que se assemelha à edificação de uma cidade a partir de alicerces frágeis.
No decorrer da sessão foram apresentados o Report Sud Vivo e uma prévia da investigação conduzida pelo instituto Demopolis sobre o fenômeno do despovoamento. Esses documentos trazem dados e narrativas que ajudam a dimensionar a crise demográfica e a apontar medidas de intervenção: desde políticas públicas de incentivo à economia local até investimentos em serviços, infraestrutura e inclusão social.
Entre os oradores estiveram Giovanni Azzone, presidente da Acri, e Giancarlo Moretti, porta-voz do Forum Terzo Settore, que enfatizaram o papel do terceiro setor e da filantropia estruturada no apoio a projetos de coesão territorial. As conclusões foram apresentadas por Stefano Consiglio, presidente da Fondazione con il Sud, que destacou a necessidade de combinar diagnóstico e ação — integrar o relatório técnico com intervenções que realmente revertam o declínio populacional.
Como repórter atento à interseção entre decisão pública e vidas reais, vejo neste encontro um convite à construção coletiva: transformar diagnóstico em obra. O desafio é fazer com que o peso da caneta que traça políticas seja traduzido em alicerces concretos nos territórios, para que o direito de escolher onde viver não seja apenas uma frase, mas uma realidade acessível a todos no Sul da Itália.

